"Macbeth" abre festival de ópera

A partir deste sábado, a Região Nortedo País marca mais um ponto contra o Sul quando o assunto éópera, no momento em que uma produção do Macbeth, de Verdi,abre a primeira edição do Festival de Ópera do Theatro da Paz.Aberta ao público em 1874, a casa que, assim como o TeatroAmazonas, é fruto do período áureo da comercialização daborracha, passou nos últimos anos por um processo de restauração orçado em R$ 6 milhões, bancados pelo governo do Pará e algunsparceiros como a Companhia Vale do Rio Doce e o Ministério daCultura. Os custos com o festival devem atingir a marca de R$ 1,1 milhão, total captado por meio de leis de incentivo àcultura. Ópera da primeira fase da carreira de Verdi baseada napeça de Shakespeare, Macbeth chega à capital paraense em umaconcepção de Mark Clark Ross e Dave Higgins, com regência doinglês Patrick Shelley, da Dorset Opera, onde essa montagemestreou no ano passado. O elenco é composto, em sua maioria, porvencedores das duas primeiras edições do Concurso Bidu Sayão deCanto: o barítono Daniel Lee (Macbeth), o tenor EduardoItaborahy (Macduff), o baixo Orival Bento Gonçalves (Banquo), ameio-soprano Patricia de Oliveira (dama de companhia) e o baixoJosé Maria Cardoso (médico). No complicado papel de Lady Macbeth, a soprano norte-americana Gail Gilmore. Após Belém, essaprodução viaja para São Paulo (onde estréia em julho noMunicipal) e também deve fazer parte da programação do Paláciodas Artes, em Belo Horizonte. Além de Macbeth, o festival terá outras duas produções:as operetas A Noiva do Condutor, de Noel Rosa (produção doTeatro São Pedro, dirigida por Elvira Gentil e Mônica Giardini),e A Viúva Alegre, de Franz Lehár (em colaboração com oPalácio das Artes), que será encenada em português, em umaversão de Júlio Medaglia, que assina a regência e direçãomusical. A concepção cênica é de William Pereira. Além dasóperas, estão programados um calendário de concertos sinfônicos(um deles com obras de autores paraenses), recitais dospianistas Marcelo Bratke e Artur Moreira Lima e palestrasseguidas de lançamentos de livros. Tudo isso com a participaçãoda Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e do Coral MarinaMonarcha. Segundo Cléber Papa, diretor-geral do festivale da São Paulo ImagemData, que produz o evento, essa primeiraedição tem como intenção, acima de tudo, "marcar areinauguração do teatro e recuperar sua trajetória". Durante areforma, além da restauração das pinturas e obras de arteespalhadas pelo teatro, foi promovida a recuperação da cisternaoriginal, o fosso da orquestra e a caixa cênica foram refeitos,todo o sistema de iluminação foi modernizado, assim como a parteelétrica, novas poltronas foram colocadas, foram trazidos doisnovos pianos - um Yamaha doado pela Cia. Vale do Rio Doce e umSteinway Grand Concerto-D. "Essencialmente, o que fizemos foidevolver ao teatro todo o glamour do século 19 com o equipamentodo século 21", diz Gilberto Chaves, diretor artístico do teatroe do festival. Cléber Papa faz questão de chamar a atenção para a buscapor "um sentimento de conseqüência e permanência". "O Parátem mostrado uma vocação própria para esse tipo de evento eacredito que o festival está mostrando que é preciso criaroutros espaços fora do eixo Rio-SP e fazer com que o produtocriado possa circular de modo harmonioso, diminuindo os gastos eaumentando receitas." Outro ponto lembrado por ele é aparticipação de talentos locais, como a soprano Carmen Monarchae as 73 vozes do Coro e de cantores que não estão no eixo Rio-SPcomo o tenor Eduardo Itaborahy.

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