SERGIO CASTRO|ESTADÃO
SERGIO CASTRO|ESTADÃO

Luiza Possi se reinventa em disco mais pop

Com sonoridade eletrônica, ‘LP’ mostra nova vertente da cantora

João Paulo Carvalho, O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2016 | 06h00

A fala de Luiza Possi, 31, é leve e serena. Sem se afobar, ela explica detalhadamente o processo de composição de seu novo disco, LP. Gravado na sala de casa, a cantora queria externar musicalmente, sem que parecesse estranho, suas influências do pop. “A intenção era que as músicas que eu danço nas baladas e ouço no carro diariamente também estivessem no palco. Minhas canções, até então, eram um pouco tristes. Outro dia uma mulher me parou no aeroporto. Falou que havia terminado um relacionamento e não parava de me ouvir (risos). Este trabalho está mais para cima. A energia mudou”, diz em entrevista ao Estado.

Com uma sonoridade pop, gorda e forte, LP (Independente, R$ 20) mostra uma nova vertente de Luiza Possi. Na estrada há 15 anos, as letras de seu repertório eram mais voltadas para as frustrações e decepções amorosas da vida. O novo trabalho, entretanto, traduz um tempo alegre e dançante. “Não me preocupei se o álbum agradaria meu público ou, de alguma forma, atrairia um novo. Por isso ele foi todo produzido na sala da minha casa. Tenho outros projetos, como novelas e filmes, mas cheguei à conclusão de que a música me alivia de diferentes formas, além de me preencher”, afirma.

O parceiro da cantora neste álbum é o DJ Rodrigo Gorky, curitibano que estourou na música eletrônica com o Bonde do Rolê. A doce e potente voz de Luiza se encaixou perfeitamente com os arranjos sintéticos de Gorky. A virtuosa dobradinha está presente nas 10 faixas que compõem o novo trabalho.

Em Sigo, que abre LP, por exemplo, a mudança de sonoridade fica evidente. A canção, que começa em uma pegada trip hop, termina com batidas rápidas. “Conheci o Rodrigo Gorky em um jantar. Foi paixão à primeira vista. Houve uma identificação mútua. Chegou uma hora que não queríamos entregar o disco, pois isso significava parar o processo de gravação que ia muito bem”, brinca.

Além da parceria com Gorky, o CD traz ainda outras dobradinhas. Se no disco passado, Sobre o Amor e o Tempo, Luiza trabalhou diretamente com o produtor Dadi e gravou canções de Erasmo Carlos, Adriana Calcanhotto, Marisa Monte e Lulu Santos, em LP, a cantora traz algumas parcerias interessantes. O Meu Amor Mora no Rio, composta por Pélico, flerta com a música latina e o rock dos anos 1950. A potente Aventura é uma parceria com o cantor Thiaguinho. Já Por Quanto Tempo foi escrita ao lado de Dudu Falcão, seu amigo de longa data. “O LP é um disco muito digital. Tem vários parceiros que eu não conheço pessoalmente. Cheguei a fazer melodias e letras pelo Whatsapp mesmo. Isso foi muito legal. O Pélico, por exemplo, me mandou a letra por mensagem no Facebook”, complementa.

Luiza também regravou um sucesso da década de 1980. Como Eu Quero, hit do Kid Abelha, ganhou nova roupagem e interpretação. A levada é mais eletrônica e a voz da cantora transita levemente pela letra melodramática de Leoni e Paula Toller. “A gente queria fazer uma regravação que tivesse cara de regravação, mostrando minhas referências. A proposta era elucidar o que estávamos fazendo na música com algo não inédito. Em princípio, só vinha Kid Abelha e Marina Lima na cabeça. No final, optamos pelo Kid”.

A ideia inicial era lançar LP apenas no formato digital, mas a repercussão positiva do trabalhou acabou mudando os planos de Luiza. “Fizemos uma leva de mil discos, que se esgotou nas lojas em poucos dias. Nos shows, por exemplo, as pessoas cantavam as músicas novas na ponta da língua. Outro dia acordei pela manhã e me dei conta de que meu vizinho ouvia o álbum no último volume. Isso é gratificante”.

Diferentemente dos sete trabalhos anteriores, Luiza pode trabalhar no disco com mais tranquilidade. Sem pressão, a música fluiu e o processo de criação e composição ficou menos rígido e truncado. “Tudo que é feito sem pressa tem um resultado melhor. Pela primeira vez eu me escuto hoje em dia como entretenimento. Antes, não fazia isso. Era algo mais sério. Fui para a balada esses dias ouvindo Rihanna, Drake, Jay-Z e, para a surpresa de todos, Luiza Possi! Isso significa que meu objetivo foi cumprido. Eu estou na minha própria playlist”, brinca.

Sobre os shows, Luiza não pensa em cantar somente as músicas de LP, até porque o disco tem ao todo 35 minutos. “A gente precisa sentir a apresentação. E um fã não está lá apenas para ouvir coisas novas. Ele quer, na verdade, o conjunto da obra. É preciso saber dosar para não errar a mão no repertório”, conclui.

 

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