Luiz Carlos Vinhas tem morte cerebral

O pianista Luiz Carlos Vinhas, de 61 anos, teve a morte cerebral detectada pelos médicos, após um eletroencefalograma realizado no início da noite de ontem, no Hospital Samaritano, em Botafogo. O músico será submetido a novo exame em 24 horas para confirmar o diagnóstico. Vinhas teve parada cardíaca no último sábado, após uma cirurgia para correção de hérnias abdominal e ingnal, de rugas nos olhos e retirada de gordura do pescoço, na Clínica Interplástica, em Botafogo, na zona sul. Ele entrou em coma cerca de duas horas depois da operação. De acordo com a assessoria de imprensa do Samaritano, Vinhas está sendo mantido vivo por aparelhos, e responde a alguns estímulos. "Foi comprovada a hipótese clínica de morte cerebral", diz o boletim médico divulgado ontem à noite.O cirurgião plástico Farid Hakme, que operou Vinhas, disse que as cirurgias começaram às 10 horas de sábado, assistidas por dois anestesistas, Marco Antônio Garamboni e Edson Sardemberg Neto, que lhe deram uma anestesia peridural e local, na região dos olhos e pescoço. Às 16 horas, as operações foram concluídas com êxito e, às 17 horas, ele foi levado para o quarto já consciente. "Às 19h30m, a família notou que ele não estava bem e chamou o plantonista que fez sua recuperação junto com o dr. Sardemberg, que ainda estava no hospital,", contou Hakme.Hakme ressaltou que os exames pré-operatórios a que Vinhas foi submetido tiveram resultados normais. "Há um ano, ele havia parado de beber e fumar e seu estado de saúde era bom", esclareceu. Segundo a nota divulgada pela Clínica Interplástica, "os médicos acreditam que o fígado de Vinhas não conseguiu metabolizar os anestésicos de forma eficiente no pós-operatório, o que fez com que a medicação voltasse a circular no organismo, levando a dificuldades respiratórias."Luiz Carlos Vinhas é um dos pioneiro da Bossa Nova e fez sucesso nos anos 60 como pianista do trio Bossa Três, que se completava com o baixista Tião Neto e o baterista Edison Machado, ambos já falecidos. Nos anos 70 e 80 viveu fora do Brasil, aproveitando o sucesso da música brasileira, mas na década de 90 voltou ao País e apresentava-se em casas com piano-bar.Seu último disco saiu em janeiro deste ano, ainda com a participação de Tião Neto e da cantora Wanda Sá, outra pioneira da Bossa Nova. Chamava-se Wanda Sá e Bossa Três - A Música Brasileira no Japão e tinha regravações de clássicos como Errinho à Toa, Canção que Morre no Ar, Foi a Noite, Fotografia e Estrada do Sol. O lançamento em São Paulo ocorreu em março, última temporada de Vinhas na cidade.

Agencia Estado,

20 de agosto de 2001 | 21h47

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