Denise Andrade/Estadão
Denise Andrade/Estadão

Luísa Sonza usa 'Doce 22' como um diário para enfrentar os acontecimentos pesados

'É possível transformar aquilo que parece ser a pior coisa do mundo em algo bom', afirmou a cantora

Murilo Busolin, O Estado de S. Paulo

07 de março de 2022 | 15h01

“Depois de tudo que vivi e tudo que as pessoas viveram e sentiram comigo durante a divulgação do meu álbum Doce 22, senti que precisava dar um final feliz para a história. Decidi que preciso voltar a ter cor no meu dia. É essa a mensagem que eu quero passar para os meus fãs, de que é possível transformar aquilo que parecia ser a pior coisa do mundo em algo bom.”

Essas são as palavras de Luísa Gerloff Sonza, artisticamente conhecida como Luísa Sonza e que, aos 23 anos, já é carinhosamente apelidada como a princesinha do pop brasileiro. Doce 22 é o irônico título do seu segundo disco, que virou uma espécie de diário aberto acerca da avalanche de acontecimentos pesados que ela enfrentou nos últimos anos.

O álbum causou tanto impacto, que recentemente bateu a incrível marca de 1 bilhão de streamings somados nas plataformas digitais, entre músicas e videoclipes. 22 foi lançado em julho de 2021, mas a cantora deixou três singles guardados para manter o projeto vivo na boca do grande público e são eles: Fugitivos, parceria com Jão; Anaconda, colaboração com Mariah Angeliq; e Café da Manhã, dueto com Ludmilla.

Luísa passou um semestre divulgando seu novo material envolta a uma persona mais sombria e agora o encerra muito mais leve, feliz e colorida. Após a descarga emocional que a acompanhou durante toda a era Doce 22, ela agora pode sorrir ao contar a sua história.

“Quando assisti ao vídeo de Sua Cara (colaboração entre Major Lazer, Anitta e Pabllo Vittar, um dos maiores hits de 2017), logo pensei, é isso que eu quero fazer da minha vida. Comecei a admirar o pop no Brasil com Anitta, Ludmilla, Pabllo Vittar, Iza e isso é muito recente. Três anos depois do clipe de Sua Cara, fiz uma música e um clipe com elas, Modo Turbo, que foi o primeiro single do Doce 22”, conta.

“Por isso, iniciei esse álbum com muita energia e termino a divulgação com Café da Manhã. Todas são artistas que me inspiram e representam começos e fins grandiosos”, continua. Até o semblante durante a entrevista transparece sua atual calmaria, mas as vivências que inspiraram a produção do disco recordista foram dignas de nomear tornados.

Sonza iniciou a carreira aos sete anos, cantando em festas de casamento na sua cidade natal, Tuparendi (RS), e não demorou muito para chamar a atenção de internautas quando começou a postar covers no YouTube durante a adolescência (meados de 2016).

A artista viu a sua carreira decolar após o sucesso dos singles funk-melody Devagarinho e Boa Menina. Hoje, possui dois discos de sucesso em seu portfólio, canta para uma multidão emocionada e orgulhosamente conta que se tornou amiga de suas maiores inspirações no mercado brasileiro.

A compositora já foi casada com o youtuber e humorista Whindersson Nunes e namorou o cantor Vitão, os dois artistas possuem uma legião de fãs e, como consequência, ambos os términos repercutiram em larga escala – resultando até em ameaças de morte. O caso se assemelha com o que seus ídolos e eternas princesas do pop internacional, Britney Spears e Christina Aguilera, passaram durante o amadurecimento artístico nos anos 2000.

Mas, como uma boa popstar, Luísa reverteu todos os ataques em arte e transformou suas mágoas em uma sucessão de hits que encorpam a sua breve carreira.

Engana-se quem acha que a cantora produz um funk com muito mais rapidez do que uma baladinha romântica: “Tenho muito mais facilidade para criar músicas tristes que alegres. Por isso, eu me forço a ser um pouco mais feliz. Eu me forço a ser colorida, ou então vivo em um mar canceriano de muito drama e onde me afundo demais”, revela.

O Doce 22 reflete sua angústia vomitada e moldada em um pop de qualidade. São faixas sinceras, provocativas, dançantes, íntimas e algumas profundamente tristes.

“Eu fazendo meu trabalho, escutando só besteira” – essas são as primeiras palavras que Sonza entoa na faixa que abre o Doce 22 (Intere$$eira). São ofensas que ela lê com frequência em suas redes sociais.

“Eu até me emociono quando eu falo deste álbum. Fiz com todo o meu coração, é toda a minha vida. Ele me salvou de muita coisa, sou grata por ter tido a coragem e loucura de tê-lo feito”, fala emocionada. “Esse disco é um ato de transformação muito grande. Me mudou como artista e como pessoa, e eu sei que ele mudou a vida de muita gente também, pois se tornou algo coletivo.”

A loira platinada sabe disputar um jogo pouco explorado no Brasil e utiliza táticas que foram realizadas com êxito por figuras carimbadas como Madonna e Miley Cyrus: elas exploraram a sua liberdade sexual em trabalhos que se tornaram referências e viradas de chave em suas carreiras, como o Erotica (1992) e o Bangerz (2013).

Recentemente, Luísa foi duramente criticada por dançar no pole dance em um dos seus shows. Perguntada sobre qual motivo de o brasileiro não abraçar o pop nacional como abraça facilmente o pop internacional, ela não pestanejou na resposta.

“Eu subi no pole dance, mas não estava falando sobre pauta nenhuma, só estava querendo ser gostosa na cama. É bom que me coloquem em discussão, que pensem, reflitam e que mudem de opinião, pois esse é o verdadeiro objetivo da cultura pop. Em algum momento, as pessoas vão gostar de mim e em outros, não”, encerra a produtora.

Luísa Sonza estuda todas as estratégias para que a sua carreira não seja um foguete do tipo Nasa com data para voltar. Ela entende que a carreira de um artista precisa estar de mãos dadas com números, qualidade e estabilidade.

“Eu me preocupo muito mais com a longevidade de cada lançamento, para que o projeto se torne inesquecível, se torne algo maior do que um número. É claro que grandes números fazem parte e gostamos de estar no topo, mas quero atingir o máximo de pessoas possível e quero ficar, não quero ir embora rápido”, enfatiza.

Convivendo com ataques desde muito jovem, ela garante que a felicidade dos seus fãs faz valer a pena todas as lágrimas derrubadas.“Não é fácil ser artista. Tem o lado lindo de você se permitir, de amar o que está fazendo, mas tem o outro lado que, a pessoa Luísa, às vezes, acaba tomando muita porrada. Mas vale a pena estar aqui e lutar por tudo isso. Não faria nada diferente, nada”, encerra a popstar brasileira mais comentada dos últimos meses.

Tudo o que sabemos sobre:
Luísa Sonzafunk

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.