Luísa Maita quer 'maior expressão com o mínimo de afetação'

Cantora, dona de bela e afinada voz, lança seu trabalho de estréia-solo na terça-feira no Prata da Casa

Lauro Lisboa Garcia, de O Estado de S. Paulo,

24 de novembro de 2008 | 17h54

Nascer e crescer numa família musical nem sempre transforma aspirantes em artistas. Vide a legião de inexpressivos filhos de famosos que patinam no cenário da "nova MPB" hoje. O que quer Luísa Maita - jovem cantora e compositora de São Paulo, que se apresenta na terça-feira, 25, no projeto Prata da Casa, no Sesc Pompéia - é "o máximo de expressão com o mínimo de afetação". Isso já vem de família, diz ela, que tem parentes talentosos da linhagem dos Taubkin - a mãe Myriam (produtora cultural) e os tios Daniel (cantor) e Benjamim (pianista) - e o pai, Amado Maita, violonista e cantor já falecido. Veja também:Ouça trecho de 'Lero-Lero', de Luísa Maita   Dona de bela e afinada voz, Luísa reconhece influências deles e dos músicos que transitaram ao seu redor - como Sizão Machado, Léa Freire, Guilherme Vergueiro e Fernando Falcão, vizinhos de um sítio onde morou aos 10 anos. Ainda pequena, ela teve contato com o samba da Vai-Vai, quando ficava com seu pai num estacionamento que ele tinha no Bexiga.  Invertendo os padrões, ela diz que hoje mais influencia a mãe do que o contrário. "Sou apaixonada por essa geração de artistas contemporâneos, como Curumin, Beto Villares, Rodrigo Campos, Mariana Aydar", diz Luísa, que não se abala com prováveis comparações com Marisa Monte e afins. "Penso em ser feliz, fazer minha carreira de acordo com isso, juntando beats com música brasileira. Acho que dá para ser original, sim, porque somos todos diferentes. Eu me identifico com essas pessoas pelo simples fato de terem uma estética diferente de Marisa." Em seu primeiro CD-solo, a ser lançado em 2009, Luísa mantém em composições, arranjos e interpretações o alto padrão familiar, que ela se exigiu. Da convivência com mecânicos funcionários de seu pai, veio o aprendizado do ritmo "da periferia". Daí que ela ginga com naturalidade em faixas como os sambas Lero-Lero (dela) e Desencabulada (Luís Felipe Gama/Rodrigo Campos), o coco Fulaninha e a funkeada Aí Vem Ele... (ambas também dela).  No show de terça ela canta todas as canções do CD mais algumas, acompanhada de uma banda que tem o violão afro de Rodrigo Campos e o baixo de Paulo Lepetit, que são seus produtores. Luísa, ao contrário de muitas outras cantoras que lançam discos sem ter cacife para tal, desenvolveu seu talento em atividades diversas. Cantou em banda de casamento, com os Trovadores Urbanos e lançou um CD em 2003 com a Urbanda. "Tive sorte de me esconder por trás da banda", brinca ela.  Quem ouve sua voz sutil, mas nem por isso fria, pode achar inusitado que ela tenha tido como principais referências Michael Jackson, Milton Nascimento, Nana Caymmi e Sade, além do pai e do tio Daniel. "Curto pessoas profundas, mais emotivas, menos estruturadas", diz. "Aprendi muito com meu tio a cantar mais simples, de um jeito mais moderno, com menos gritaria. A vida está simples, o conceito das coisas é que é importante."

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