Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Lucy Alves, que brilhou em 'Velho Chico', se lança como cantora pop

Artista ousa no clipe de 'Caçadora', música que vai integrar seu novo EP ainda sem data de lançamento

Amilton Pinheiro, O Estado de S.Paulo

18 Abril 2017 | 03h00

A cantora e atriz paraibana Lucy Alves, 31, ficou conhecida nacionalmente depois de ter participado da segunda temporada do programa The Voice Brasil da Globo, em 2013, quando defendeu, com talento e com sua sanfona, o forró autêntico nordestino. “O The Voice me abriu muitas portas, conheci muita gente lá dentro, e o grande público teve conhecimento da minha persona musical”, disse em entrevista ao Estado a artista, que brilhou na pele de Luzia, antagonista de Tereza (Camila Pitanga) na novela Velho Chico, e que agora faz uma aposta como cantora pop, ao lançar o single Caçadora, que chegou no início de abril às plataformas digitais, e que vem provocando polêmica nas redes sociais.

No clipe Caçadora, que fará parte de um EP, ainda sem data de lançamento, Lucy Alves aparece de forma provocante, com um belo decote e cabelos clareados, em uma espécie de palco de um bar-boate, cantando para homens e mulheres que se olham de forma provocante também. “Hoje foi declarada/ Temporada de caça/ Tô saindo de casa/ Eu vou (....)/ Montada, armada/ Tô pronta para caçada/ Mirando, acertando/ Essa noite eu só quero ser/ Caçadora de beijos...”, diz a letra da balada com batida eletrônica e forte apelo comercial.

A repercussão do clipe foi imediata nas redes sociais, com uns defendendo a guinada que a artista deu na carreira de cantora, até então dentro do regionalismo do forró de raiz, que ela muito bem mostrou no The Voice Brasil, e outros que enxergaram nessa mudança uma facilitação para obter sucesso rápido, com músicas massificadas e de duplo sentido, que são feitas aos montes hoje.

Alguns críticos do Nordeste tacharam Caçadora de “popularesco de ocasião”, e lamentaram que uma cantora de voz refinada e repertório que remete a Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca, estes dois últimos seus padrinhos musicais, tenha se deixado seduzir pelo pop descartável, com “prazo de validade”. De fato, quem assiste ao vídeo e conhece um pouco sua carreira de cantora – iniciada no grupo Clã Brasil, em 2002, formado pelos pais, irmãs e dois rapazes, e depois em carreira solo, em 2014 – percebe a mudança radical no visual e, principalmente, no repertório.

Em relação às críticas negativas, a cantora as atribui à dificuldade que as pessoas têm com o novo, com algo que saia da zona de conforto, no seu caso, o forró de raiz. É um problema geracional, Lucy acredita. Segundo ela, as críticas negativas vieram das pessoas mais velhas, enquanto o público jovem aprovou com entusiasmo a sua nova proposta. 

“Agora, você é ex-forrozeira, como assim? Sou forrozeira do mesmo jeito, eu quis mesmo ousar, isso partiu de mim. É um momento que quis atirar nesse universo novo. Tenho uma base tão bacana, que isso permite me atirar. Isso não vai determinar o que vou gravar amanhã, nem apagar as coisas que fiz, posso, inclusive, cantar uma valsa”, se defende categoricamente.

Se seu novo estilo musical dividiu o público e não agradou a uma parte da crítica, seu trabalho de atriz na novela Velho Chico surpreendeu positivamente a todos. Lucy mostrou segurança e amadurecimento em um papel de extrema dificuldade, ainda mais para uma quase estreante – sua experiência como atriz tinha sido um teste que fez e não passou para a minissérie Dois Irmãos, e para o musical Nuvem de Lágrimas, baseado nas canções de Chitãozinho e Xororó, que ela fez em 2015.

“A Luzia era uma mulher inconstante, com muitas alterações de humor, que lutava bravamente pelo homem que amava, no caso, seu marido, Santo dos Anjos, vivido por Domingos Montagner. Foi um grande desafio para mim. No início, duvidaram que eu pudesse fazer, eu mesma fiquei apreensiva, mas tentei humanizá-la, e acho que consegui”, diz.

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