Lua Discos estréia no Rio com o melhor do samba

Em nome do respeito, que é também amor, pela música brasileira, Moacyr Luz está dirigindo os três próximos lançamentos da pequena gravadora Lua Discos. São álbuns, como define o produtor e compositor, circunstanciais. Ele não sabe como - nem por quê - ninguém pensou em produzi-los antes. O primeiro, gravado no mês passado, é de Guilherme de Brito, sambista de 79 anos, parceiro de Nelson Cavaquinho, que se lança pela primeira vez como artista solo. O segundo, em adiantada fase de pré-produção, é Macalé canta Moreira. Neste, como o próprio nome diz, Jards Macalé canta Moreira da Silva, compositor inventor do samba de breque que faleceu em junho, aos 98 anos. E no terceiro, que será gravado até novembro, Moacyr dirige Casquinha, membro da velha guarda da Portela, num disco com alguns dos sambas que o compositor, parceiro de Paulinho da Viola e Candeia, escreveu em seus 80 anos de vida. Os três discos marcam o lançamento da gravadora paulistana Lua Discos no mercado carioca. No entanto, o esquema de distribuição desse material não está acertado. Pode ser uma caixa com os três CDs, pode ser um álbum por vez. "Nego tá buscando tanta novidade para fazer música que esquece de fazer música", vocifera Moacyr. "Com estes discos o cara vai ouvir um samba que há muito tempo ninguém ouve, é isso que importa, é isso que unifica esse trabalho", explica o compositor. Pasta Cinza - "Tirei uma cópia do disco e não canso de ouvir. Está lindo", confessa Guilherme de Brito. Gravado no mês passado, com direção musical de Paulão Sete Cordas, produtor de Zeca Pagodinho e do Tudo Azul, de Marisa Monte e da Velha Guarda da Portela, o disco de Brito ainda não tem nome definido. Praticamente todas as canções do repertório, escolhido por Moacyr Luz, são inéditas. "Minha preocupação foi não encarar o disco pelo lado memorialístico", conta. A idéia de produzir o álbum surgiu quando Moacyr encontrou na casa de Brito uma pasta cinza na qual estavam composições inéditas do sambista em parceria com Nelson Cavaquinho. Sete destas canções estão no novo disco, que para Brito é o primeiro da carreira. "Os outros não foram discos comerciais. Eram cópias restritas que me davam para que eu batalhasse e tentasse vender", diz. Os outros a que se refere são Guilherme de Brito (Eldorado), disco de 1980, Guilherme de Brito (CCSP), de 1988 e Folhas Secas (Rio Arte), todos lançados com cópias reduzidas pelas respectivas gravadoras. Há duas participações especiais no álbum: Cássia Eller canta Erva Daninha, de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho e Luiz Melodia apresenta Maria, do "debutante" compositor. Dos três lançamentos da Lua Discos o que está menos encaminhado até agora é o de Otto Trepte, ou melhor Casquinha. Sabe-se apenas que Mauro Vinícius, filho de Monarco e músico de Marisa Monte, irá produzir o disco do membro da velha guarda da Portela. Sabe-se também da importância de Casquinha que aos 80 anos não se cansa de cantar. Para situar, ele é o autor de Vem Amor e Falsas Juras, com Candeia, que estão presentes em Tudo Azul. Como Aracy de Almeida - Macalé canta Moreira é o nome do tributo que Jards Macalé presta ao amigo, parceiro e ídolo Moreira da Silva. Idolatria recíproca, pois Moreira, quando vivo, nunca escondeu que Jards era seu natural sucessor. O repertório está fechado: Amigo Urso/Resposta, Olha o Padilha, Acertei no Milhar, Na Subida do Morro, Choro Esdrúxulo, O Rei do Gatilho, O Último dos Moicanos, Piston de Gafieira, Samba Aristocrático e Margarida. Além destas, os dois destaques: Moreira na Óperae Tira os óculos e recolho o homem, única parceria entre os dois. Para Moacyr Luz, a trajetória de Moreira da Silva, o Kid Morengueira, lembra a de Aracy de Almeida. "Ela lançou compositores como Noel e Nelson Cavaquinho e ficou para a história como aquela jurada do Chacrinha. O mesmo acontece com o Moreira, as pessoas se lembram da caricatura do Malandro mas não recordam das músicas", comenta. Por isso, o trabalho de Jards tem dupla função. Além de homenagear, irá resgatar a importância de Moreira. Mostrar o quão importantes e virtuoso ele era. O arranjador do trabalho é Vitor Santos e tem participações especiais de Gabriel, o Pensador e Marcelo D2.

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