Los Hermanos reaparecem melancólicos

Terminou o carnaval. Hoje, às 21h, o grupo carioca Los Hermanos irá retomar toda a tristeza e ressaca de uma quarta-feira de cinzas no palco da Sesc Pompéia. Apesar da alegrinha e grudenta Anna Júlia continuar no repertório, a banda agora quer mostrar seu lado melancólico com o lançamento do controverso álbum Bloco do Eu Sozinho. A canção que mostrou ao Los Hermanos o caminho da mina virou uma incômoda cruz. Desde que lançaram seu primeiro disco, os músicos a tocaram umas três centenas de vezes, incluindo playbacks em programas de televisão. O hit ´jovem guarda´ aprisionou a banda numa cela com 250 mil pessoas cantando em coro o refrão. A banda, perdida no meio da gritaria, decidiu repensar o carnaval. O segundo disco da carreira dos hermanos, Bloco do Eu Sozinho, é uma negação ao estrelato. A linearidade do rock visceral na qual deitavam cedeu lugar a harmonias bem mais rebuscadas. De título melancólico, de natureza experimental, de briga com gravadora, de citações pop, o álbum mostra que a saída para a música pop nacional é ser antiga e atual no mesmo riff de guitarra, no mesmo som de tuba, na mesma tristeza de letra que embalaria sambas-canção nos anos 30 e que embalam relacionamentos partidos em 2001. Muitos afirmam que tal mudança não fluiu naturalmente, e que ninguém passa a fazer rock maduro de um disco para o outro. E o que era para ser ousado, acabou sendo chato e pretensioso. Para o bem ou para o mal, o Los Hermanos agora tem corpinho de rock, coração de samba, mas alma de palhaço. Sim, palhaço, aquele personagem que ri por fora, mas por dentro carrega um coração amargurado. Bloco do Eu Sozinho é um disco de ressaca, de maquiagem borrada e, sobretudo, um disco de quem vai embora para casa solitário após a festa. Los Hermanos - Hoje, às 21h. Choperia do Sesc Pompéia (R. Clélia, 93, tel: 3871-7700). R$ 15.

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