Los Hermanos mudam para melhor em novo álbum

Para quem conhece o perfil de Los Hermanos, era previsível que eles não seriam os mesmos no quarto álbum, intitulado 4 (Sony/BMG). Eles mudaram para melhor.Produzido por Kassin, 4 se notabiliza pelo intimismo, por uma maioria de canções lentas e de grande beleza, arranjos simples e essenciais, letras reflexivas e sinais de amadurecimento profissional.Das 12 faixas, Marcelo Camelo assina sete e Rodrigo Amarante, cinco, cada um sozinho na sua, inclusive ao dar voz às próprias criações. O que não constitui grande novidade é alto grau de abstração (seria por timidez?) do grupo ao divulgar o trabalho. Ou seja, eles fizeram a parte deles, não tem graça explicar; a análise fica para a crítica. "A gente se deixa guiar pelo afeto. Estamos só querendo fazer música bonita, que seja agradável para a gente tocar", diz Camelo. Sem nenhuma intenção no caminho, a mudança reflete um "movimento espontâneo, uma vontade de experimentar, de buscar novidades". Entre elas está a diminuição (quase eliminação) do naipe de metais dos arranjos. Tudo que se especulou a respeito do disco, muito aguardado pelos fãs, até agora também não procede. Camelo diz que eles não se inspiraram no Wilco ("nunca ouvi", diz), não há referências intencionais a Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Pink Floyd ("conheço aquelas quatro músicas" - que seriam de The Wall ou de The Dark Side of the Moon?). "Talvez até se pareça para quem conhece, mas nada é referencial nesse sentido", diz. "A gente vai fazendo e descobrindo consonâncias de pensamento e intenção, vai sintonizando", diz o guitarrista, compositor e vocalista Rodrigo Amarante, que também fez a tosca pintura do encarte do CD (a capa é só um detalhe). "Sinto que escrever é um exercício de autoconhecimento, de autocrítica. É uma forma de se expor, não pelo simples fato de escrever. As letras têm relação com as coisas que penso. É difícil colocar isso em palavras, já que foi difícil colocar em palavras nas músicas." Escolha certeira pelas afinidades estéticas, de linguagem e técnicas, Kassin considera 4 um sinal de evolução do grupo. Para Amarante este é um termo utópico. "É uma questão de ponto de vista. Darwin já não vigora. Quem não gosta do grupo não vai achar que se trata de evolução. Agora, mudar é melhor do que não mudar. Isso mostra um compromisso com nossas sensações, observações do mundo. Cada um vai achar o que quiser."

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