Londrina dá largada a sua 37.ª maratona teatral

Muito especial é a relação de Londrina, no Paraná, com as artes cênicas. Em dezembro, a cidade vai comemorar seu 70.º aniversário. É portanto uma cidade jovem. No entanto abriga um dos mais antigos - e sem dúvida um dos mais importantes - festivais internacionais de teatro do País, com 37 anos de existência. Como nunca existiu no Brasil um mapeamento dos grandes festivais, e um correspondente aporte de verba para garantir sua continuidade, são imensas as dificuldades envolvidas na realização de um festival anual, sem interrupções e sem queda de qualidade. Os organizadores do Filo - à frente deles durante muitos anos a diretora Nitis Jacon - conseguiram tal proeza. Não será diferente nessa 37.ª edição do Festival de Teatro de Londrina (Filo) que começa hoje com a apresentação do premiado espetáculo Pequeno Sonho em Vermelho, da trupe paulistana Linhas Aéreas. Até o dia 30 de maio vão passar por diferentes palcos da cidade 19 montagens nacionais, 12 internacionais - de países como Suíça, República Checa, Itália, Colômbia, Espanha e Canadá - e ainda outras 13 peças de grupos de Londrina.Pode parecer muito, mas vale ressaltar que essa cidade do Paraná foi o berço de companhias importantes como o Grupo Armazém dirigido por Paulo Moraes - atualmente radicada no Rio - e o grupo Cemitério de Automóveis, de Mário Bortolotto, que atua, no momento, no Teatro Alfredo Mesquita. Este último volta à terra natal nessa edição do Filo com o espetáculo A Frente Fria que a Chuva Traz. Com orçamento de R$ 1,5 milhão, a programação conta com eventos paralelos, entre eles um encontro internacional de clowns que vai unir desde o divertidíssimo palhaço Xuxu, criação de Luiz Carlos Vasconcelos e a clown norte-americana Hillary Chaplain.Um dos destaques fica por conta do grupo argentino Periferico de Objetos - de longa carreira internacional -, que vai apresentar a peça La Forma que se Despliega, do autor e diretor Daniel Veronesi. Como sempre ocorre nos textos de Veronesi, a situação é mote para uma contundente crítica à sociedade ocidental. Na linha da dança-teatro, um grupo suíço faz coreografias inimagináveis com banquinhos de escritório e computadores no espetáculo L´Odeur du Voisin (O Cheiro do Vizinho). Entre os brasileiros, participam grupos consolidados como o Lume, de Campinas; Parlapatões e Cia. do Feijão, de São Paulo; Amok Teatro, do Rio; e Ateliê de Criação Teatral, grupo paranaense do ator Luís Melo. Participam também grupos ainda não conhecidos nacionalmente, como a mineira Cia. Trama e a Cia. Carioca. A programação completa do festival pode ser conferida no site www.filo.art.br.

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