Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Lollapalooza Brasil 2019: veja tudo sobre o primeiro dia do festival

Evento tem diversas atrações de música e é realizado no Autódromo de Interlagos

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2019 | 13h53
Atualizado 05 de abril de 2019 | 20h00

SÃO PAULO - A oitava edição do Lollapalooza Brasil, que começa nesta sexta-feira, 5, leva diversas atrações de música para o Autódromo de Interlagos, em São Paulo.  O Estado faz a cobertura dos shows, que serão realizados nos quatro palcos do local

Para quem não puder ir ao festival, o Multishow e o canal Bis transmitem o evento, diariamente, a partir das 14h (e também por streaming).

Acompanhe por aqui, os detalhes do primeiro dia do festival:

Troye Sivan faz show engajado pela causa LGBT

Já  considerado um dos 25 adolescentes mais influentes do mundo pela Time, o cantor Troye Sivan cantou no Brasil pela primeira vez, nesta sexta, 5, no palco Adidas no Lollapalooza 2019

O show da estrela pop de 23 anos estava lotado por um público que sabia todas as músicas de cor. Entre as cantadas com mais entusiasmo pela plateia, estão Seventeen e Heaven, que fala sobre se assumir homossexual em um mundo preconceituoso. 

Troye Sivan nasceu na África do Sul, mas cresceu na Austrália. É uma voz importante da causa LGBT - durante seu show em São Paulo, inclusive, a bandeira do movimento foi exibida no telão, arrancando palmas calorosas dos que assistiam à apresentação. "Vocês são a plateia mais incrível do mundo", disse o cantor, que também brincou com o calor brasileiro. "Como aqui é quente!" Quando ouviu o uníssono "Troye, eu te amo!", respondeu, em inglês: "eu também amo vocês!"

Muitas pessoas empunhavam bandeiras LGBT durante o show, fato comemorado por Sivan. "O mundo pode ser odioso para nós, mas temos uma força inacreditável. Eu penso que tudo vai ficar bem quando vejo vocês", afirmou. Parte da plateia respondeu com palavras de protesto ao presidente Jair Bolsonaro. (Eduardo Gayer)

Foals traz ao palco reinvenção do seu novo disco

É difícil julgar como a saída de um integrante afeta uma banda consolidada como o Foals, mas parece que a ausência do baixista e fundador do grupo Walter Gerves fez bem para o conjunto conhecido pela rigidez de seu rock alternativo (um dos termos usados para descrevê-los é math rock). Quem fez as novas linhas de baixo, com um groove pouco visto nos discos anteriores, foi o próprio vocalista e compositor principal, Yannis Philippakis.

Everything Not Saved Will Be Lost Part 1 foi lançado em março e compõe o núcleo do novo show, e com as mensagens apocalípticas das letras funde a rigidez de arranjos de guitarra que marcou a carreira da banda desde o primeiro álbum, Antidotes (2008) até What Went Down (2015), mas acrescenta as linhas de baixo mais soltas com camadas potentes de sintetizadores. É visível a reinvenção de uma banda já consolidada do indie rock britânico.

No Lollapalooza, Yannis fez as interações protocolares e em um momento desceu cumprimentar os fãs apertados na grade - especulo, aguardando os Tribalistas, único grupo nacional que ganhou status de headliner do festival em suas oito edições até aqui. (Guilherme Sobota)

Portugal The Man traz indígenas ao palco

A banda americana Portugal The Man começou o show no palco Onix do Lollapalooza Brasil, no início da tarde desta sexta-feira, com fortes mensagens políticas e a presença de brasileiros indígenas no palco. "Demarcação já!", pediram os ativistas. A banda começou a tocar em seguida sua versão de Another Brick In The Wall, do Pink Floyd, e emendou com Purple Yellow Red and Blue, do álbum Evil Friends (2013). Como já é praxe nos eventos culturais de 2019, o público xingou o presidente Jair Bolsonaro.

Criada no Alaska, agora com base em Portland, a Meca indie do noroeste dos EUA, a banda chega ao Brasil para uma segunda participação no Lollapalooza Brasil (a primeira em 2014), mas agora no seu melhor momento em quase 10 anos de banda. Ano passado, Feel It Still se tornou o maior hit da história do grupo, no Top 5 da Billboard, e arrebanhou prêmios ao redor do mundo, inclusive um Grammy. Em certo momento do show, uma mensagem no telão diz: "não se preocupem, vamos tocar 'aquela' música logo". E ela vem no final, um hit pop pegajoso.

Antes, a banda mistura canções dos seus oito discos com trechos de clássicos do rock, como For Whom The Bell Tolls, do Metallica, Gimme Shelter, dos Stones, e Children of the Revolution, do T. Rex. Assim, conta uma história do rock para os fãs muito jovens, sempre maioria absoluta no festival.

Em matéria de som, o grupo fica entre o mainstream à la Red Hot Chili Peppers e algumas camadas sintetizadas para fazer um rock de guitarras distorcidas que parece querer se justificar. Numa polêmica que vem de anos, uma mensagem no palco diz: "aqui apenas instrumentos ao vivo", numa tentativa tola de considerar esse modelo superior a quem se apresenta com DJs, por exemplo.

Mas tem bom humor no telão também. "Somos o Portugal The Man. Apenas para certificarem-se de que estão vendo a banda certa". Ou: "discutir política em encontros de família. Isso é maneiro!". E ainda: "se você é contra o casamento gay, case com um hetero". No fim, um show morno para um início de tarde de festival. (Guilherme Sobota)

The Fever 333

O trio californiano The Fever 333 se apresentou na tarde desta sexta-feira no palco Adidas do Lollapalooza Brasil 2019

Logo no início do show, o líder da banda, Aric Improta, fez críticas ao atual momento que vive o Brasil. "Onde exploram negros e mulheres", disse.  "Viemos ao País do ódio". 

A manifestação foi acompanhada por aplausos do público, que entoou palavras de ordem contra o presidente Jair Bolsonaro

Pela primeira vez no Brasil, The Fever 333 é uma mistura de rock com rap. Seus hits mais famosos são "Burn It", "One Of Us" e "Strenght in Numbers". O primeiro disco é de 2017. 

Junto aos colegas Jason Aalon e Stephen Harrison, Aric Improta, apesar das críticas ao País, soltou um "Te amo, Brasil", carregado de sotaque americano. Ele subiu em uma espécie de prancha de madeira, que foi carregada pelo público. 

Com todos os integrantes da banda sem camisa, o guitarrista subiu no teto no palco e levou os espectadores à loucura. Improta chegou a ficar de cuecas durante a apresentação. (Eduardo Gayer)

The 1975 volta ao Lollapalooza com seu pop rock pós-moderno

Matt Healy, o vocalista do The 1975, é uma estrela na Inglaterra: o terceiro disco da banda, A Brief Inquiry Into Online Relationships, foi o #1 na lista de melhores do ano da NME e, dois anos depois da sua estreia no Lollapalooza Brasil, ele volta para um show ainda pop, mas com uma marca mais definida.

A banda tem a formação de um grupo de rock, até um saxofone aparece, mas as músicas caminham com naturalidade entre experimentos pop, rock, trap, baladas e soul. Nas entrevistas que concede, Healy se irrita com jornalistas que tentam enquadrá-lo nos gêneros. Um par de dançarinas o acompanha no palco.

A versatilidade é uma marca pós-moderna, mas, no show, as músicas que mais empolgam estão na região do rock que foi popularizada por gente como o Blink-182 (como a canção que fecha o show, "Sex").No palco, sua personalidade aparece quando ele vai acender um cigarro e o público aplaude. "Não! Não aplaudam isso", apagando o cigarro em seguida. Ele também se irrita com um robô-câmera que fica lhe seguindo. Até aqui, um dia bastante médio do Lollapalooza Brasil. (Guilherme Sobota)

Show dos 'Autoramas' é marcado por manifestação política

Pela primeira vez no Lollapalooza, a banda Autoramas, uma das mais importantes da cena alternativa brasileira, subiu ao palco Onix, um dos quatro do festival, na tarde desta sexta, 5. 

Entre a apresentação de músicas autorais como 'Abstrai' - que já tem mais de 305 mil reproduções no Spotify -, Gabriel Thomaz, guitarrista e cantor, fez uma manifestação política ao apresentar a vocalista e percussionista da banda. "Com vocês, a minha 'conge', Erika Martins", disse, satirizando Sérgio Moro.

Nesta semana, durante uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, o ministro Sérgio Moro, que defendia seu pacote anticrime na Casa, disse a palavra "conge" por duas vezes, quando o correto é "cônjuge".

Apesar do sol forte e o calor de 31 graus, o grupo Autoramas fez uma apresentação eletrizante. Os cantores estavam energizados, assim como o público, embora relativamente pequeno por conta do dia e do horário. 

A banda já tem quase 21 anos de atuação e 8 álbuns lançados. (Eduardo Gayer)

Vencedora do Grammy, St. Vincent se apresenta no festival

A cantora e guitarrista St. Vincent se apresentou no início da noite desta sexta-feira, 5, no Lollapalooza Brasil 2019

Com um público relativamente reduzido - provavelmente, em virtude do show dos Tribalistas, que acontecia no mesmo momento -, a artista americana subiu ao palco Adidas com seu pop rock alternativo. 

St. Vincent, que já veio à edição de 2015 do festival, levou o Grammy de melhor faixa de rock em 2019 pela música "Masseduction", que também foi apresentada agora em São Paulo.

 

Palco eletrônico serve de 'recepção balada' do festival

O tom da oitava edição do Lollapalooza está já na entrada de quem chega pelo portão 7. O Dashdot atuava no momento em que o espaço Doritos, dedicado aos eletrônicos, começava a receber um massa maior de fãs, no começo da tarde.

Aos poucos, o Lolla vai se convertendo em um festival mais eletro do que rock and roll. Mesmo bandas escaladas para horários nobres tem a música eletrônica como o forte. Tiesto é o nome mais esperado do dia, previsto para as 21h30. (Júlio Maria)

Operação Tapa Buracos complica trânsito para Lollapalooza 2019

Prefeitura autoriza obras na Avenida Interlagos em dia da abertura do festival. Quem escolheu ir de carro ao primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2019 enfrenta problemas para chegar ao destino.

Além da situação já esperada no trânsito na região, que tem várias ruas interditadas pela CET, a Prefeitura de São Paulo autorizou obras da Operação Tapa Buracos na Avenida Interlagos, justamente no sentido Autódromo, onde ocorre o evento, o que dificulta ainda mais a circulação de carros. 

Recomenda-se que o público do Lollapalooza Brasil 2019 utilize trem ou ônibus para chegar ao festival. As opções são a estação Autódromo da CPTM e a linha especial que sai do Terminal Santo Amaro. (Eduardo Gayer)

Lolla 2019: Confira a montagem dos palcos e os últimos preparativos

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