Camila Cara
Camila Cara

Lollapalooza 2019: último dia será encerrado por Kendrick Lamar

E a Terra Nunca me Pareceu Tão Distante e Luiza Lian fizeram concertos para um número ainda pequeno de fãs

André Cáceres, Eduardo Gayer, Guilherme Sobota, Julio Maria, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2019 | 13h36

O terceiro e último dia da oitava edição do Lollapalooza Brasil 2019, que ocorre neste domingo, 7, terá shows de ritmos variados, que tomará conta do Autódromo de Interlagos, em São Paulo.  O Estado faz a cobertura dos shows, que serão realizados nos quatro palcos do local. 

Para quem não puder ir ao festival, o Multishow e o canal Bis transmitem o evento, diariamente, a partir das 14h (e também por streaming).

Years and Years encerra festival com talentoso eletropop 

O trio londrino Years and Years mostrou a que veio. Último show do palco Adidas de todo o Lollapalooza, fechou a programação de domingo, 7, com um eletropop que agitou o público.

O show foi uma espécie de 'contraprogramação', já que, ao mesmo tempo, subia em outro palco Kendrick Lamar, um dos artistas mais esperados desta edição do Lollapalooza. Nem tal fato, no entanto, desanimou a banda e os fãs, que batiam palmas, cantavam, e, claro, filmavam, ininterruptamente. Não foram poucos que apareceram no telão usando faixas na testa com a inscrição 'Y&Y', evidenciando que os ingleses têm, sim, fãs de carteirinha no País. 

"Uma das experiências mais loucas que já tive", disse o vocalista Olly Alexander, que iniciou a apresentação com uma bandeira do Brasil. No final, estava com uma bandeira LGBT, causa em que milita.  

A produção apostou em boas imagens de fundo e em iluminação que muito bem dialogava com as batidas das músicas, entre as quais se destacam Desire, Shine e King, cantadas do início ao fim por quem acompanhava o show. Sem surpresas, pois seus refrões são daqueles que 'grudam na cabeça', mesmo. 

Enfim, Years and Years foi aposta certeira da organização do Lollapalooza. (Eduardo Gayer)

Rufus do Sol tem currículo, mas fez show morno em São Paulo

Trio australiano que se mudou para Los Angeles, nos Estados Unidos, os Rufus do Sol já conquistaram dois álbuns de platina com Atlas e Bloom, primeiras duas produções da banda eletrônica. O terceiro e último disco, Solace, foi eleito o melhor do mundo na categoria música eletrônica pela Billboard, em 2018. 

A qualidade musical não deixa a desejar, de fato, mas os Rufus do Sol também não ousaram na produção de imagens e luzes em seu show do Lollapalooza Brasil 2019, que aconteceu na noite deste domingo, 7, no palco Adidas. E a culpa não foi do gênero: ontem, a banda também eletrônica Odezsa surpreendeu com efeitos de imagem e luz impressionantes. 

"Estamos esperando isso há muito tempo", disse Tyrone Lindquist, que integra o trio junto a Jon George e James Hunt, sobre a primeira experiência no Brasil. Em São Paulo, músicas de Solace como Underwater e Lost in My Mind foram apresentadas. (Eduardo Gayer)

Com riffs fortes, The Struts injeta glam rock no festival

A banda inglesa de rock The Struts mescla referências setentistas ao que há de mais novo na cena. O grupo formado por Luke Spiller, Adam Slack, Jed Elliott e Gethin Davies se apresentou no palco Onix, no terceiro e último dia do festival Lollapalooza 2019

Com figurinos excêntricos próprios do glam rock e riffs grudentos, o Struts injetou altas doses de rock a um festival que estava recheado de shows de outros gêneros. 

Os refrões fortes e a energia da banda, com bastante influência do rock de arena oitentista provou que o Struts tem capacidade de comandar um show de grandes proporções. 

Com pleno domínio do palco, o andrógino vocalista Luke Spiller se mostrou extremamente performático, roubando a cena mesmo durante sessões instrumentais, com dancinhas e firulas que mostram sua influência numa linhagem que remonta a Freddie Mercury, comparação sempre injusta.

O grupo, no entanto, já demonstra sinais de que pretende abrir concessões ao pop: com seu segundo álbum, Young & Dangerous, lançado em 2018, o Struts fez uma parceria com a cantora pop Kesha em uma das principais faixas, Body Talks, que foi executada no começo do show. 

A apresentação abre com um combo de músicas mais recentes que demonstram essa fase nova da banda, mas à medida que evolui, começam a aparecer as faixas mais antigas, do primeiro disco, Everybody Wants (2014). (André Cáceres)

IZA faz teste com seu maior público em São Paulo

IZA, na esteira da produção de uma artista pop, teve no Lolla seu maior público em São Paulo até aqui. Ginga, de seu disco Dona De Mim, tem sensualidade e afirmação. Bateu, com graves pesadíssimos, é a que leva as mãos de uma plateia gigantesca á frente do palco Adidas.

Seu posicionamento é esperto. Ninguém faz hoje o que ela tem feito em termos  de sonoridade. Tem afirmação feminista e racial, embora seu figurino e seu gestual pareça colidir com isso, mas também muita pista. Seu canto é totalmente entregue às influências de cantoras norte americanas. Seu palco é povoado por uma mistura de banda e sons programados que nunca se sabe bem quem faz o quê. Oito bailarinos e bailarinas ficam o tempo todo no palco. 

Letrux faz show politizado e defende Lula

A cantora também gritou "Fora Bolsonaro" e levantou placa em homenagem a Marielle Franco: "Hoje faz um ano que o Lula está preso e vocês sabem muito bem o porquê." A frase é de Letrux, cantora brasileira que se apresentou no Lollapalooza Brasil 2019, na tarde deste domingo, 7. Logo depois da afirmação, a artista gritou "Fora Bolsonaro" com força, arrancando aplausos de quem a assistia. Quando o público tentou dizer palavras de baixo calão contra o presidente, ela retrucou: "não precisa disso. Só o nome dele já é um xingamento".

O show foi, de fato, politizado. No palco, havia duas camisetas com os dizeres "Lula Livre" - mensagem outrora evocada por Letrux -, junto a uma banda paritária em termos de gênero: são três homens e três mulheres. 

A vocalista, cujo nome de batismo é Letícia Novaes, dedicou a canção "Que Estrago" às mulheres. "A todas as mulheres, mesmo. Abaixo a transfobia", cravou. 

Outras músicas apresentadas foram "Amorium", "Ninguém perguntou por você" e "Flerte Revival", que fazem parte do primeiro disco solo da banda, "Letrux em Noites de Climão", de 2017, escolhido como melhor álbum do ano pelo Prêmio Multishow. Antes da carreira solo, Letícia Novaes fazia parte da banda Letuce, na qual atuou por oito anos. 

Além de política e música de qualidade, o show também teve bom humor. "Estou aqui em regência ariana. É fogo, muito fogo", brincou Letrux, fazendo leituras astrológicas do momento. 

Para se despedir, a cantora agradeceu a quem foi ao show "de uma banda nacional independente" e aos funcionários do Lollapalooza. "A quem ajudou a erguer cada parafuso, cada centímetro desse palco. Viver em uma sociedade capitalista é muito confuso, então precisamos fazer nossa parte."

Por fim, jogou-se na plateia e ergueu uma placa de rua com o nome de Marielle Franco. "Para nunca mais esquecer", disse. (Eduardo Gayer)

Gigante, BK faz festa do rap no palco principal

O Lollapalooza Brasil teve que esperar até o domingo, 7, para ver um show de rap nacional em um de seus palcos: o carioca BK fez no espaço principal uma versão do seu show de Gigantes, um dos discos mais destacado da música brasileira em 2018 - e não foi interrompido pela chuva, como Rashid havia sido no dia anterior.

Com um público considerável para o horário no início da tarde, o rapper carioca apresentou seu flow demarcado e reflexões densas de faixas como Titãs ("eu quero ser maior que as muralhas que eles construíram ao meu redor") mas também sua face mais pop de romance em Manos. 

Suas parcerias com a cantora Juyé crescem no palco e uma canção como Gigantes ganha nova potência no palco.

Ele chamou Luccas Carlos para cantar Vivos, parceria sua com Baco Exu do Blues - outro de seus companheiros de geração. O fato de Djonga estar na plateia consolida uma ideia já presente no cenário musical dos últimos 3 anos: o de que existe um elemento especial na novíssima produção do rap nacional.

Mas BK é festa: e como ele diz em Jovens, "Enquanto ainda somos jovens, enquanto a noite ainda é longa / Enquanto quebrar corações ainda é onda / Ainda sobra disposição, fazer tudo com as próprias mãos /Enquanto derrota é ainda dizer não".

Mais ao fim do show, ele chama Akira Presidente e Drik Barbosa para a versão de Correria, faixa que encerra o disco de 2018 com um verso impecável da rapper paulista. 

A última faixa do show, Top Boy, de 2017, vê surgir uma roda na plateia e o coro repetido com vontade por um público que veio ao Autódromo por causa de nada mais do que rap. (Guilherme Sobota)

Dupla The Inspector Cluzo faz rock cru 'sem computador' e surpreende

A dupla francesa The Inspector Cluzo chegou como uma incógnita ao terceiro dia do festival Lollapalooza 2019 e saiu certamente com muitos fãs a mais na conta. 

Ainda pouco conhecido no Brasil, o duo composto por Laurent Lacrouts e Mathieu Jourdain faz uma mescla honesta de gêneros, do rock ao jazz com bastante groove e uma guitarra afiada.

O rock cru e enérgico com forte influência de blues agradou o público diverso, que ainda estava se aquecendo no início da tarde. "Isso é um show de rock and roll tocado sem nenhum computador", alfinetou Lacrouts por mais de uma vez durante a apresentação. 

Com uma mensagem de respeito à natureza e sustentabilidade, o duo apresentou faixas de seus mais de dez anos de estrada entremeadas por várias improvisações e uma amplitude vocal impressionante.

 De um momento a outro, a performance podia ir de um fraseado lento de blues a uma explosão de hard rock em um segundo. No final, Lacrouts começou a desmontar a bateria de Jourdain durante uma longa música instrumental, uma peça por vez, até sobrar apenas a caixa e o bumbo. E encerraram o show literalmente vendendo camisetas e produtos de merchandising aos fãs.

Competente, imprevisível e bem-humorado, oduo francês compreende o real sentido de espetáculo. Um inesperado ponto alto para um festival repleto de apresentações mecânicas e burocráticas. (André Cáceres)

Pontifexx faz a tarde virar uma grande balada noturna

Pontifexx deu as boas vindas no palco eletrônico para uma plateia que se avolumou muito rápido, a partir das13h. O tempo claro, mesmo sem sol, muda bastante esse espaço, que trabalha com muitas luzes e fumaça. As performances da tarde perdem um pouco de brilho.

Mas Pontifexx trabalhou duro. Out There, o single que fez com que ele chegasse até o festival, foi devidamente apresentada. Nina Fernandes apareceu para cantar Your Eyes, de Pontifexx, sem a mesma comoção. A maioria da plateia não parecia conhecê la tão bem, mas a respeitou. 

Esquentou mais quando subiu sua versão de Psicho Killer, do Talking Heads. É a vingança da eletrônica em espaços sempre tão dominados pelo rock quando uma música como essa levanta o público sem nenhuma presença das guitarras de David Byrne.

Pontifexx desperta as atenções do mercado europeu desde que chamou os sulafricanos do Goldfish para a parceria de Out There. Sua abertura do eletrônico provou que ele poderia estar também no horário nobre. (Julio Maria)

Banda instrumental paulistana inaugura último dia do festival

A banda brasileira E a Terra Nunca me Pareceu Tão Distante ofereceu um dos shows mais intrigantes do festival Lollapalooza 2019

O grupo paulistano de música instrumental levou ao palco Onix do Lollapalooza 2019 uma apresentação focada em seu único álbum, Fundação, lançado em 2018, com algumas faixas mais antigas, de EPs e singles anteriores. 

Como a vibe instrumental introspectiva da banda não permite que o público cante junto, a aura do show foi bastante única para um festival recheado de hits badalados. Prato cheio para quem queria conhecer uma banda diferente.

Luiza Lian estreia no festival

Para um público ainda pequeno, muito por conta do horário, a paulistana Luiza Lian se apresentou no início da tarde deste domingo, 7, abrindo as atividades do palco Adidas no último dia do Lollapalooza Brasil 2019

É o primeiro show de Luiza Lian no festival, que priorizou o setlist de seu novo disco,  Azul Moderno, de 2018. Além da faixa-título, o público apreciou a voz doce da cantora em músicas como Iarinha e Pomba Gira do Luar.

No palco, apenas Luiza e Charles Tixier a quem ela mesma chamou de "meu homem-banda".

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