Serjão Carvalho/Estadão
Serjão Carvalho/Estadão

Lollapalooza 2018: LCD Soundsystem agora é uma anárquica noite de queijos e vinhos

Os tempos de “micareta indie” ficaram para trás para James Murphy e companhia - e isso é bom

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

23 Março 2018 | 22h21

Os tempos de “‘micareta indie”, termo usado aos montes para definir o som do LCD Soundsystem já não valem mais - ajustem-se ao 2018, colegas jornalistas. 

O que o Daft Punk encontraria na casa de James Murphy e companhia - como cantado na música Daft Punk is Playing in My House - seria uma anárquica “noite de queijos e vinhos”. 

E isso não é ruim, muito menos um problema. Com o passar dos anos, convites para noites como essa passam a ser mais bem-aceitos do que para festas ensandecidas - e, jovens, acreditem, a diversão também é garantida. 

Por bem, essa transformação do LCD Soundsystem se faz clara na noite desta sexta-feira, 23, no Autódromo de Interlagos, na primeira data do Lollapalooza 2018. Na sua última passagem por São Paulo, a banda se despedia. James Murphy havia entendido que era hora de encerrar as atividades da banda e, em 2011, rodou o mundo para dar seu adeus. Na cidade, na época, tocou em uma casa noturna, numa das noites mais loucas que esse repórter já presenciou. 

Agora, arrependido, novamente inspirado e de volta, James Murphy encontra mais ordem do que desordem na sua frente. Talvez seja o ambiente do festival, talvez porque todos nós somos seis anos mais velhos - anos transformadores, desses que nos tiram da casa dos 20 anos e nos coloca nos 30 e poucos. 

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Com um novo disco, chamado American Dreams, Murphy se viu disposto a colocar o LCD Soundsystem de volta em curso, essa banda que sentiu o garage rock renascer no Brooklyn, no fim dos anos 1990 e início de 2000, e decidiu inseri-lo em um contexto eletrônico, de sintetizadores e looping, tudo feito manualmente, no palco, ali. Aliaram a sujeira com o som de festa pirante. Criaram uma estética própria, um electropunk. 

Nada disso funcionária não fosse a melancolia inerente de Murphy ao escrever. Sua principais obras debatem a percepção da idade, do distanciamento, da solidão e do amor que se foi. 

De volta, mais velho, Murphy canta a separação de um ponto mais distante, nessa linha do tempo. O que empresta para suas canções mais antigas, como I Can Change e All My Friends, um poder ainda mais arrebatador. A seis anos, cantávamos a saudades. E, provavelmente, esse tempo todo depois, tudo segue na mesma. Só pesa e dói mais. 

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