Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Lollapalooza 2017: Criolo hasteia todas as bandeiras no palco do festival

Rapper fez show de uma hora com muitos discursos e reforçando que, na crise, sua mensagem parece valer por duas

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

25 Março 2017 | 20h03

Um homem pequeno surge caminhando no telão, ao fundo do palco. Pequenino, ele vai aumentando até ficar só o rosto gigante na tela. É Criolo. De bermuda colorida e jaqueta, o rapper aparece logo que ouve a plateia do Lollapalooza 2017 no palxo Axe fazendo barulho, extasiada com sua imagem. Seu show é tenso e sua mensagem é messiânica. O sistema é sempre o alvo, mas o símbolo gigante de uma das empresas patrocinadoras do festival fazem lembrar que sua presença ali também é uma absorção do mesmo sistema. 

Criolo tem força hipnótica. Ele sabe usar o palco a seu favor e acredita no que diz. "Você que veio aqui com sua história de vida, com seu sorriso que é seu, do seu pai, da sua mãe." "Eu não sou ninguém nesse rolê. E se você é a favor da positividade, do amor e da paz, faz barulho aê..." "Brasil, país controverso, mas eu acredito na juventude..."

O discurso de Chuva Ácida parece mais forte ainda, com a erosão do sistema político no Brasil. "Peixes mutantes invadindo o Congresso, vomitando poluentes com o logotipo impresso...." E Criolo segue com várias intervenções entre as músicas. "Você que é uma pessoa de bem, não fraqueje, não fraqueje."

Suas letras se atropelam e, muitas vezes, a mensagem chega truncada. Um pecado para quem não sabe de cor suas canções e quer entender mais do que ele diz. Quando canta um hit como Grajauex, ou o reggae Samba Sambei, a plateia segue junto. Quando vem com versos mais obscuros, a mensagem se perde. 

"Pra iluminar a cabeça dos caras que assinam os documentos, esses caras têm de sair das trevas", ele fala sobre os políticos, sem citar nomes. E diz depois, diante da jovem classe média branca que pagou mais de R$ 500 para estar em Interlagos, que a vez é da favela. Ouve os gritos e canta Sucrilhos, um dos mais doloridos socos no estômago de seu rap.

Seu show hasteia todas as bandeiras. Ele fala contra o racismo, a homofobia e o machismo. Antes de Subirusdoistiozin, vem um dos chamamentos mais fortes: "Agora eu quero falar com vocês. Vamos fazer aqui uma desconstrução. Toda vez que você mexer com uma mulher em qualquer rolê, este será um ato de violência". Uma mixagem de DJ Marco faz a palavra golpe ser repetida por algumas vezes. Uma pausa e vem o momento breve dos gritos de "fora, Temer", que só param quando Criolo começa Não Existe Amor em SP. Ele diz, ao fim, que "só o amor pode transformar". 

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