Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Lollapalooza 2017: "Celulares na plateia só me incomodam se forem jogados em mim", diz Perry Farrell

Criador do festival, o vocalista da banda Jane's Addiction e empresário da música também disse que a edição 2018 do festival está sendo planejada

Entrevista com

Perry Farrell

Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

25 Março 2017 | 18h35

O fundador do Lollapalooza, empresário da indústria e vocalista do Jane's Addiction, Perry Farrell, disse dias desses a um jornal de Chicago que odiava EDM, o gênero da música eletrônica que se torna presença cada vez mais dominante na edição brasileira do seu festival. "É,  talvez eu tenha me expressado mal", disse ele no fim da tarde deste sábado, 25, em um camarim no Autódromo de Interlagos. Ele também confirmou que a edição 2018 do evento está sendo planejada.

"Eu amo música eletrônica e trabalho com grandes artistas do gênero desde os anos 1990", disse. "O que eu não gosto é das obviedades que o EDM atingiu nos últimos anos." Ele diz tentar trazer apenas os melhores produtores de cada gênero. "Eles não são raros, na verdade estão se tornando a norma", comentou.

Ainda assim, ele reconheceu a imensa dificuldade que é montar uma grande banda de rock n roll, como o Metallica, principal headliner do dia. "Quem é o grande guitarrista virtuoso do nosso tempo? Quem está no mesmo nível de Jimmy Page e Dave Navarro? É muito complicado", comparou.

Farrell não quis anunciar a sétima edição do Lollapalooza Brasil para 2018, mas garantiu que o evento está sendo planejado.

Ele também comentou o hábito do público de usar muito o telefone celular durante shows, fato que incomodou Mick Jagger na última visita dos Stones ao Brasil no ano passado. "O que você vai fazer? Sabe o que me incomodava no público? Quando eles cuspiam na gente. Eles faziam isso por um amor punk, mas grudava na sobrancelha, escorria pelos olhos, era absolutamente nojento. Celulares? A não ser que eles arremessem em você, tudo bem", riu.

"Se alguém não consegue se acostumar com isso, eu lamento, cara", disse. "Eu penso que dentro de cinco anos, quem não tiver um telefone em um evento como esse não vai se divertir tanto, entende?"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.