Lobão volta em CD ao vivo e especial de TV

Lobão é mesmo um sobrevivente. Da vida e da música. "Minha maior vingança é estar vivo", diz, em tom irônico. Na vida, driblou envolvimentos com drogas, tentativas de suicídio e prisões por porte de tóxicos e hoje está aí, saudável, para contar sua história. Na música, encontrou a fama nos anos 80, atravessou os 90 produzindo intensamente e, aos 44 anos, continua em plena atividade. Com aquela mordacidade e irreverência que lhe são típicas, é claro. "Eu vivo da música, não sobrevivo." Este ano, o compositor e cantor carioca resgata sua trilogia da música brasileira - iniciada com "Nostalgia da Modernidade" -, com o CD independente Lobão 2001 - Uma Odisséia no Universo Paralelo", que chega às bancas do País em versão ao vivo. "Para se fazer o que eu estou fazendo nada mais apropriado do que uma odisséia, no sentido arquetípica da palavra. Sou o único, o mais livre pensador da música no Brasil", diz.Balanço - No novo trabalho, Lobão faz um balanço da carreira dos anos 90, priorizando o repertório menos conhecido do público. Ao contrário do que se espera, não se virá "Uma Odisséia no Universo Paralelo" recheado de antologias, como acontece com a maioria dos álbuns ao vivo. "Oitenta por cento do teor do meu CD é fracassado. Tem mais músicas desconhecidas e inéditas." Mas também abriu brecha para alguns de seus antigos hits, como o pout-pourri "Noite Dia/Me Chama, Rádio Bla, Vida Bandida e Decadence Avec Elégance" - sem dúvida, os grandes chamarizes da recente odisséia do músico. Sua intenção é revigorar constantemente a carreira, atraindo o público jovem, e não apenas nutrir as necessidades nostálgicas dos antigos fãs. Assim, o que se escuta é um Lobão mais denso e pesado, que carrega no vozeirão um tom melancólico e angustiado. "É um som elaborado, de qualidade. Fiz esse trabalho com muita dedicação e carinho." A heterogeneidade musical é outra característica marcante do disco, que transita tranqüilamente entre o rock, o funk, a música eletrônica de samplers e outras linhas.Apesar de trazer álbuns ao vivo na discografia, Lobão sempre desferiu ácidas críticas à exploração comercial e à banalização do formato. "Não tenho nada contra tocar acústico ou ao vivo, mas contra como se está fazendo isso. Eu cresci ouvindo discos ao vivo de Jimmy Hendrix, Frank Zappa e tantos outros", diz. "Os discos ao vivo se tornaram uma ponte de safena. E, supostamente, é mais barato fazer show ao vivo, cheio de sucessos." Paralelamente ao lançamento do novo disco, estão programadas a transmissão da excursão "A Vida É Doce", no canal pago Multishow (Globosat) e em Portugal, e uma turnê européia. Com 15 faixas, "Lobão 2001 - Uma Odisséia no Universo Pararelo" custará R$ 11,90. "Quero vender mais de 350 mil cópias, mais do que consegui em ´Vida Bandida´. Tenho qualidade e preço baixo para isso."

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