Lobão faz show em SP

O guerrilheiro Lobão, líder de um grupo que convenceu o governo federal de que os discos deveriam ser numerados e eterno defensor da criação de um mercado paralelo e independente de cultura, ganhou destaque em 2002 mais pelo que falou do que pelo que cantou. Sua carreira tem sido curiosa. As pessoas o conhecem e o respeitam e seu público aumenta cada vez mais, mas ninguém sabe cantar uma música sequer que ele tenha feito nos últimos cinco anos.Os fãs do combatente que estavam com saudade do roqueiro Lobão terão este fim de semana para matá-la. Nas noites de amanhã, sábado e domingo, no Centro Cultural São Paulo ? Sala Adoniran Barbosa, ele tocará velharias tipo Me Chama e Canos Silenciosos. Mas o melhor fica para a sessão de inéditas, das quais muitas serão incluídas em seu próximo disco. Há parcerias com Júlio Barroso (Quente) e com Cazuza (Seda). As outras novas são Capitão Gancho, O Homem Bomba, Alguma Coisa Qualquer e Boa Noite Cinderela. Seu grupo virá na enxuta formação trio, completado por baixo e bateria, como rege a lei do rock garageiro.Lobão continua ativo na luta contra o show biz, as gravadoras, os donos de rádio que cobram jabá para tocar determinados artistas. Está previsto para março o lançamento de uma revista que o terá como um editor especial. De nome provisório Outra Coisa, a publicação trará artigos, resenhas de livros, discos e reportagens bombásticas contra o meio, dito, pop. O roqueiro quer ainda dar espaço a bandas e artistas que não conseguem emplacar seus trabalhos nas rádios. Como ele diz, o caminho que escolheu não tem volta. E sendo assim, não há por que fazer média.

Agencia Estado,

09 de janeiro de 2003 | 12h26

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