Lô Borges apresenta novo disco no fim de semana

O cantor e compositor mineiro Lô Borges tem uma queda pelos trabalhos coletivos. Basta lembrar de sua irretocável contribuição ao processo criativo e musical do Clube da Esquina e de suas canções compostas com o irmão Márcio, um de seus grandes parceiros. Agora, Lô chega com um novo CD, Bhanda, que será apresentado sábado e domingo no Sesc Pompéia e resulta justamente de um encontro de músicos. Nele, o cantor se posiciona como mais um membro da banda e não o Lô acompanhado por um grupo. "O trabalho solo é a semente do coletivo. Parte de uma idéia minha e, toda vez que componho, vou arranjando também. Parece que vou escutando o baixo, a bateria. As pessoas percebem que o que eu componho tem espírito de banda", afirma. Com o CD Bhanda, não foi diferente. Habituado, como qualquer outro artista, a se enfurnar num estúdio durante meses e só sair de lá com um CD pronto, Lô fez questão de uma rotina fora do padrão. Na realidade, tudo o que envolveu a concepção desse seu novo trabalho transcorreu longe de padronizações ou formalidades Lô estava em plena turnê do CD Um Dia e Meio, e também compondo algumas coisas. Visitou o amigo Barral, do Radar Tantã, com a canção Universo Paralelo, dele e o irmão Márcio, a tiracolo, e, junto com outros músicos, deram a sonoridade para ela ali, no calor do encontro. "Eu gostei e eles também gostaram muito do resultado. Decidimos abraçar a possibilidade de continuar com esse trabalho. Eles não precisavam parar com os projetos deles e nem eu com minha turnê." E assim se seguiu entre junho de 2005 até final de 2006: uma vez por mês, geralmente às terças, Lô se reuniu com o guitarrista Giuliano Fernandes, o baixista Barral, o baterista Robison Matos e o pianista Victor Mazarelo e mostrava a eles uma nova canção, como numa espécie de desafio. "Só eu sabia a canção com meu instrumento e minha voz guia. Aí íamos sobrepondo os instrumentos. Em seis horas de estúdio, fazíamos os arranjos", diz ele, satisfeito com a empreitada. O resultado foi um CD mais rock e com atmosfera eletrônica, dando sonoridade a letras às vezes críticas, às vezes amorosas. Como compositor, Lô sente que, nos últimos tempos, está tendo a mesma produtividade de quando tinha seus 20 e poucos anos. Tanto que já tem uma base de oito músicas para um outro projeto, que fará ao lado de seu irmão. Lô Borges. Sesc Pompéia. R. Clélia, 93, 11-3871-7700. Sábado, 21h; dom., 18h. R$ 5 a 15

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