Livro tenta decifrar o mito Kurt Cobain

Dez anos depois do lançamento do discoNervermind, chega ao mercado um novo livro sobre o líder do Nirvana, Kurt Cobain, que se suicidou em 1994, no auge da fama do grupo. Heavier Than Heaven, do jornalista Charles Cross, incluitrechos inéditos de diários, cartas não enviadas e outrasinformações pessoais do músico, em uma profunda análise de umadas mentes mais marcantes da música dos últimos anos. Tudo com a permissão da viúva Courtney Love.Ex-editor da revista de música The Rocket, Cross acompanhoude perto o surgimento da cena grunge de Seattle e,particularmente, a explosão do Nirvana, escrevendo anteriormenteum livro sobre a gravação de Nevermind, um dos maisinfluentes discos de rock da história. Assim, ele conduziu maisde 400 entrevistas e conseguiu o apoio de Love, que cedeu omaterial inédito para o livro. O resultado é um livro que nãoidolatra nem julga o roqueiro, mas apresenta explicações paraboa parte de suas atitudes, incluindo o suicídio.Heavier Than Heaven (Editora Hyperion, 400 páginas, US$ 2495) mostra que Cobain tinha fixação pelo tema desde muito cedo.Impressionado com a morte de um tio, que esfaqueou a própriabarriga na frente da família, ele disse, aos 17 anos, que tinhaos "genes do suicídio". Um amigo chega a dizer que o músico"se parecia com suicídio, tinha a forma do suicídio, andavacomo suicídio e falava sobre suicídio".Cross conta os detalhes sobre a infância e adolescência deCobain, que foi abandonado pelos pais. O músicochegou a dizer para um amigo, aos 14 anos, que iria ficar famosoe morrer no auge de sua glória. O autor prova também que ele eraum homem de contradições, que armou uma série dementiras para poder se matar.O livro considera que Cobain acabou com a própria vida por contade uma depressão crônica não diagnosticada, reforçada peladependência em heroína - droga que ele reapresentou a Love, quehavia conseguido se libertar do vício. A viúva, que já foiacusada várias vezes de ter contribuído para a morte dele,aparece como a companheira que precisou se distanciar parasalvar a própria vida.Para Love, ler o livro foi uma experiência "perturbadora"."Acho que não estava preparada", disse a cantora esta semanana Inglaterra. "Descobri que ainda não tinha confrontado umasérie de coisas sobre esse assunto."A importância do roqueiro, no entanto, não é creditada apenas aoseu fim trágico. O livro conta histórias sobre as turnês doNirvana, com todos os seus altos e baixos, e do surgimento deidéias para músicas como Smells Like Teen Spirit (inspiradapor Tobi Vail, por quem Cobain era apaixonado). O autor acertaprincipalmente ao mostrar como ele não estava preparado para setornar o porta-voz da Geração X, como aconteceu nos anosseguintes ao lançamento de Nevermind.A conclusão é que Cobain era muito mais do que apenas uma menteangustiada. Love (que garante ter muito mais material além dos28 cadernos emprestados ao autor) está planejando organizar umaexposição em Londres com desenhos, pinturas, esculturas eescritos de Cobain - para reforçar a impressão. Em um momentoem que as paradas de sucesso foram dominadas por nomes como ´NSync e Britney Spears, nada melhor do que celebrar acriatividade, ainda que sombria, de Kurt Cobain.

Agencia Estado,

05 de setembro de 2001 | 15h10

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