Livro recupera entrevista censurada de John Lennon

Até entrevistas bombásticas (e inéditas) com John Lennon, assassinado em 1980, saem do baú sem fundo dos Beatles. A notícia beatlemaníaca da semana é o livro Lennon Remembers, The Complete Rolling Stone Interviews, com uma entrevista completa dele para a revista Rolling Stone, que tinha sido censurada em 1970. O livro vai ser lançado em 9 de outubro na América do Norte e na Grã-Bretanha. Pelo jeito, Lennon Remembers (da editora inglesa Verso) vai estragar a festa de The Beatles Anthology, uma biografia dos três outros membros da banda, que vai ser lançada ao mesmo tempo pela editora Chronicle Books.Na entrevista para a Rolling Stone, Lennon fala da separação da banda, de sua relação com as drogas, de sua atitute revolucionária e dos problemas de Yoko Ono com os outros membros da banda. A data da publicação coincide com o que seria o aniversário de 60 anos dele, além dos 20 anos de sua morte.Provavelmente mais maluco - Uma das partes mais polêmicas do livro é sua sinceridade ao falar sobre o uso de drogas entre os integrantes da banda. "Help foi feita à base de maconha. A Hard Day´s Night, pílulas. Eu tomo pílulas desde que tinha 17, 19 anos. Desde que virei músico. Sempre precisei de drogas para sobreviver. Os outros também, mas eu sempre usei mais. Tomei mais pílulas, fiz mais de tudo, porque sou mais maluco, provavelmente."Outro assunto discutido por Lennon na entrevista são os efeitos que a morte do empresário da banda, Brian Epstein, teve na vida deles, em 1967. "Depois da morte de Brian, a gente desabou. Paul (McCartney) ficou à frente da banda e, supostamente, liderou a gente. Mas o que era ´liderar´ se nós estávamos sempre indo em círculos? Nós nos separamos então. Foi a desintegração. Eu não tinha nenhuma idéia sobre o que tínhamos talento para fazer a não ser música. Fiquei com medo. Pensei, ´nossa vez já foi´."Um dos pontos polêmicos do fim dos Beatles foi a relação de McCartney e George Harrison com Yoko Ono. "Por que ela devia engolir tudo que eles diziam? Eles sentavam-se com suas mulheres como uma merda de um júri, e julgavam a gente. Ringo foi legal, assim como Maureen (Cox, sua mulher), mas os outros dois realmente irritaram muito a gente. Não posso perdoá-los por isto realmente, mas ainda amo todos."O livro tem um prefácio de Yoko e uma introdução de Jann Wenner, publisher da Rolling Stone. A obra também vai ter reproduções inéditas de manuscritos de canções da banda. Livro "enciclopédico" - McCartney, Harrison e Starr devem contar uma outra história em sua biografia conjunta da banda, The Beatles Anthology. O livro faz parte de uma série de lançamentos que começaram em 1997 com os CDs homônimos com canções inéditas, como Free as a Bird. Segundo McCartney, o livro "enciclopédico" vai ser a história definitiva do grupo, depois de muitos livros escritos por todo tipo de gente desde que a banda surgiu, em 1963.A obra, de 360 páginas, também tem declarações de Lennon, colocadas lá por Yoko. A viúva vai receber 25% dos lucros com a venda da obra, que demorou seis anos para ser escrita. The Beatles Anthology vai ter 1,2 mil fotografias, todas cedidas pelos músicos. Muitas delas nunca foram publicadas antes.A promessa é de que o livro vai tratar de assuntos como a separação da banda (da qual McCartney teria sido o último a sair, ao contrário do mito popular), o uso de drogas e as rivalidades entre os quatro e suas mulheres. A projeção total de vendas do livro é de 20 milhões de exemplares em todo o mundo.

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