Denise Andrade/ Estadão/Globo/divulgação/Tiago Queiroz/Estadão
Zezé Di Camargo & Luciano, Roberto Carlos, Michel Teló e outros cantores farão live no domingo, 10, Dia das Mães Denise Andrade/ Estadão/Globo/divulgação/Tiago Queiroz/Estadão

Lives no Dia das Mães têm Zezé di Camargo & Luciano, Roberto Carlos, Michel Teló e outros

Artistas farão transmissões ao vivo para convencer famílias a ficarem em casa durante pandemia de coronavírus; confira agenda de shows

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2020 | 10h00

Como deve ser o Dia das Mães, uma das principais datas do comércio e que, tradicionalmente, promove o almoço de domingo entre famílias, durante a pandemia do novo coronavírus? Se depender da classe artística, todo mundo fica em casa curtindo shows ao longo do dia. 

Este é um novo momento para a indústria fonográfica. Há quase dois meses e atentos ao noticiário sobre a pandemia, os brasileiros passaram a ficar mais em casa. Ao mesmo tempo, diversos shows agendados tiveram de ser evitados para não promover aglomerações.

Neste domingo, 10, diversos artistas já anunciaram que farão lives no YouTube para entreter aqueles que estão em casa. Zezé Di Camargo & Luciano vão trazer, para o mundo virtual, a turnê ‘Românticos Demais’, às 16h30. A apresentação, com direção de Fábio Lopes, trará grandes clássicos como É o Amor, Dois Corações e uma História e Coração está em Pedaços

Até Zeca Pagodinho, que no início se mostrou resistente à realização de lives, decidiu fazer sua transmissão própria no Dia das Mães. Antes, o cantor disse que não poderia se apresentar por não ter ninguém para tocar com ele. “[Quero voltar] aos palcos para a gente cantar nosso samba com palma, drinks, brindes. Enquanto isso, estou aqui ouvindo Beth Carvalho, Aniceto, Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho…”, comentou na época. 

Roberto Carlos e Daniel farão uma live especial na Globo e na Band, respectivamente, no próximo domingo, 10, em homenagem ao Dia das Mães. No entanto, haviam marcado para o mesmo horário, às 15h. Para não disputarem a audiência, eles decidiram fazer ajustes: Roberto Carlos se apresentará às 15h e Daniel, às 15h45.

Ao lado dos filhos e da esposa, Michel Teló anunciou que fará uma live neste domingo, 10. “Que música você quer que eu cante para a sua mãe?”, pergunta o cantor em ação no perfil oficial dele no Instagram. A transmissão será a partir das 13h, no canal dele no YouTube.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Minha LIVE será no dia das Mães! Que música vc gostaria que eu oferecesse pra sua mãe?! Deixe aqui nos comentários!

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Outros cantores como Jorge Vercillo, Vitor Kley e Anitta também farão lives durante o domingo, 10, no Dia das Mães. Além do YouTube, os artistas se apresentarão em redes sociais como Facebook e Instagram. Confira a agenda.

13h - Zeca Pagodinho 

13h - Bem Sertanejo com Michel Teló

14h15 - Edson & Hudson 

15h - Roberto Carlos

15h45 - Daniel  

16h - Vitor Kley 

16h30 - Anitta 

17h - Jorge Vercillo 

17h - Leonardo e Zé Felipe

18h15 - Zezé Di Camargo & Luciano 

22h - Lucas Lucco

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'O homem é o coronavírus do mundo', diz escritor cubano Leonardo Padura

Em um mundo de desmatamento, aquecimento global e poluição, o escritor acredita que o homem foi injusto com as espécies

Redação, AFP

07 de maio de 2020 | 13h36

Depois de vencer todas as espécies do planeta, o ser humano é encurralado por um "bicho microscópico". Para o escritor cubano Leonardo Padura, o verdadeiro coronavírus do mundo é o homem, que agora teve de renunciar aos beijos e abraços.

"Sim, éramos felizes e não sabíamos, e há outra frase de que gosto mais que diz: estávamos melhor, quando achávamos que estávamos pior. Estamos vivendo um momento inimaginável na história da nossa geração", considera o autor do romance O homem que amava os cachorros.

Aos 64 anos, Padura é um dos escritores contemporâneos mais publicados da América Latina. Seu trabalho está enquadrado no gênero policial, mas tem a realidade social cubana como grande pano de fundo.

Isolado em sua casa na aprazível Mantilla, na periferia de Havana, um cheiro de pão fresco da padaria na esquina toma a rua. Não há filas, um cenário incomum nestes dias de intensa busca por alimentos.

"Em Cuba, existe um problema que mais nos afetou durante esse período de confinamento, que é um problema que tem 60 anos e apenas se tornou ainda mais evidente neste momento: comida", diz ele.

Cuba vê aumentar a escassez de alimentos, por causa da emergência global, do ritmo lento de suas reformas econômicas e do severo bloqueio aplicado por Washington.

Padura descreve problemas, mas também virtudes. Enaltece os médicos cubanos que estão na linha de frente do combate ao coronavírus, em cerca de 20 países, e que foram alvo de críticas dos Estados Unidos por causa de seu regime de trabalho.

"A política do governo cubano é uma coisa, e podemos, ou não, concordar, (mas) a atitude dos médicos cubanos que vão trabalhar fora de Cuba... Esses profissionais merecem todo meu respeito e são intocáveis", defende.

Um pouco de modéstia 

Para Padura, no confinamento, o ser humano parece se ver superado pelo medo da morte.

"O ser humano foi o vencedor na luta biológica, histórica e natural do planeta. E, no entanto, aparece um bichinho microscópico que é capaz de nos derrotar. Isso precisa nos dar um pouquinho mais de modéstia", reflete.

Em um mundo de desmatamento, aquecimento global e poluição, o escritor acredita que o homem foi injusto com as espécies.

"Nós somos o coronavírus do mundo, e o coronavírus está cobrando uma parte do que fizemos contra ele", aponta Padura.

Além disso, diante dessa emergência, "entregamos, pelo bem comum, todas as nossas liberdades aos governos. É necessário, não há outra alternativa, mas é perigoso".

Os beijos de Conde 

Nestes dias de confinamento, Padura conseguiu terminar seu novo romance, que espera apresentar na Espanha ainda este ano, e também se dedicar ao exercício físico. "Consegui perder 7 quilos", conta o escritor.

O confinamento também o levou a repensar um cenário para sua próxima obra, na qual ressurge o detetive Mario Conde, o protagonista de sua série de romances policiais. O livro será ambientado em 2020, durante a pandemia.

Como Conde, um homem intenso, sexual e amigável, viveria nesta época?

"De repente, tivemos que abrir mão dos beijos e abraços, e quando digo beijos e abraços, estou falando dessa afetividade que um personagem como ele (Conde) tem, essa dependência de estar com seus amigos", explica.

Padura diz que, recentemente, conversou por telefone com o ator cubano Jorge Perugorría, que interpreta Conde na série de televisão Quatro Estações em Havana, baseada em seus romances. O ator contou a ele sobre sua nova casa.

"Eu disse a ele: o que eu mais tenho vontade é sentar neste pátio que você descreve para mim, com você, tomarmos uma garrafa de uísque e uns vinhos e falar merda. Isso, para um personagem como Conde, é sua essência", completou.

 

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