Lisa Li-Lund lança indie à francesa '12000 Waves'

Lisa vem ao Brasil apenas com suas guitarras e seus violões e sintetizador e se apresenta no Sesc Vila Mariana

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

01 de abril de 2008 | 15h35

A francesa Lisa Li-Lund não tem um currículo memorável. Não gravou com superfamosos, não vagou como uma sem-teto pelas ruas de sua Paris natal, não viveu com algum escritor marginal, não namorou algum Serge Gainsbourg temporão. Ela não será presença em nenhum dos megafestivais, como Glastonbury ou Coachella, mas causa frisson no mais charmoso dos pequenos festivais, o Transmusicales de Rennes, França. Lisa Li-Lund - 12.000 Waves Lisa Li-Lund - Jewish Cemetery  Agora, que ela faz um som delicioso, não há a menor dúvida. Egressa de um grupo francês chamado Herman Düne, a garota já tem sete discos lançados e está chegando ao Brasil a bordo de seu novo trabalho, 12 000 Waves, pelo selo nacional Bazuka Discos. O álbum é totalmente acariciado pela onda folk que tem caracterizado grande parte das cantoras dessa geração, da brasileira Mallu Magalhães à israelense Keren-Ann e à primeira-dama Carla Bruni Sarkozy. Mas no som de Lisa há algo diferente, um certo gosto de ironia, de refinado sarcasmo. Mais influenciada por astros americanos, como Velvet Underground (e também pelo hip-hop, inacreditável), Lisa é daquele tipo de artista cheia de si, de opinião firme e sem nenhuma pressa de fazer seu caminho. Talvez por isso tenha feito uma opção tão delicada. Com sua franjinha, o bocão, o sorriso e os olhos azuis, Lisa tem aquela doçura indie, aquele jeito de buscar o miolo do pão da simplicidade em tudo que faz. Na página dela no MySpace, tem uma frase que parece uma versão underground de When I’m Sixty Four, do Paul McCartney: "Quando eu ficar velha, serei gorda, mas serei doce" (When i’m older, i’ll be fat but i’ll be sweet). Lisa vem ao Brasil apenas com suas guitarras e seus violões e sintetizador, sem banda. Na semana passada, ela falou ao Estado por telefone de Paris, onde vive atualmente. "Meu pai ouvia muitos discos de samba e bossa nova quando eu era menina, mas eu não conheço grande coisa do Brasil. Conheço as imagens: a praia, a natureza, os animais, a festa", disse a cantora. Como a harpista norte-americana Joanna Newsom, que teve de ocupar um show inteiro somente com sua harpa, Lisa não se assusta em cantar sozinha com seus badulaquezinhos. "É sobretudo uma tradição na música americana, a do cantor-compositor fazendo no palco a música da forma como ela foi composta, de uma forma bem minimalista. Sei que no Brasil a música é bastante ligada à festa, à dança, e isso me preocupa um pouco." Não que Lisa seja alheia a um pop dançante. Se fosse, não teria reinventado Cry me a River, de Timberlake. "É um pouco bizarro porque, embora eu tenha muita influência do hip-hop clássico, nos Estados Unidos é muito forte o R&B, e eu gosto muito de algumas canções de artistas desse gênero, como Britney Spears, Justin Timberlake", afirmou. Há também uma tradição da música francesa, um certo sabor psicodélico, uma coisa soft, como o disco Bonnie & Clyde, de Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot, que parece permear a música de Lisa. "Na verdade, minha formação musical é muito mais influenciada pela música americana. Mesmo a tradição psicodélica é mais californiana, mais ligada àquilo que acontecia nos Estados Unidos nos anos 1960. Não conheço tão bem a tradição francesa, só vim a ouvir essas coisas muito mais recentemente." Lisa não debulha histórias de influências jazzísticas, cantoras como Sarah Vaughan ou Billie Holiday. Nada disso. "Na verdade, prefiro o free jazz de John Zorn às cantoras", diz. Há uma história ainda de que Lisa teria ouvido muito a cantora alemã Nico, de Velvet Underground. "Não diria que é uma influência, mas é verdade que escutei muito Velvet, e não era o Velvet de Nico. Ouvi mais os grupos femininos do passado, como Shangri-Las, Supremes, e também Tori Amos, mas também muito de rap e hip-hop. A primeira música que eu compus era um hip-hop, minha primeira máquina era um mixer", afirma ela. Herman Düne, a banda que ela mantém com os irmãos suecos David e André Ivar e o baterista Néman em Paris, não acabou, avisa Lisa. Eles têm um novo disco a caminho, que sairá brevemente. Lisa viveu quatro anos em Nova York e mais algum tempo em Chicago e na Suécia.  Lisa Li-Lund. Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, 5080-3000. Dia 17/4, 20h30. R$ 3 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$ 6 (usuário matriculado no Sesc e dependentes/mais de 60 anos, estudantes e professores da rede pública) e R$12

Tudo o que sabemos sobre:
Lisa Li-Lund

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.