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Limpo há 10 anos, Ace Frehley não recusaria retorno ao Kiss: 'Eles precisam me ligar'

Guitarrista comemora boa fase com show em São Paulo neste domingo, 5

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

03 Março 2017 | 03h00

Ace Frehley poderia, sim, voltar a ocupar o posto de guitarrista do Kiss. A bola está com Gene Simmons e Paul Stanley, fundadores do Kiss que permanecem com a banda que se tornou uma máquina de entretenimento, garante o músico de 65 anos, em entrevista ao Estado por telefone. O tema principal da entrevista era o retorno dele a São Paulo, pela primeira vez como artista solo, marcado para este domingo, 5, no Tom Brasil, mas Frehley entende que o seu personagem Spaceman, criado nos tempos em que gastava duas horas maquiando o rosto ao lado de Simmons, Stanley e companhia, continuará a persegui-lo. E, de bom humor – em boa fase na carreira –, ele não parece se importar muito com isso. 

“Tudo pode acontecer”, despista o guitarrista. Em 2016, contudo, sites especializados passaram a especular sobre um retorno de Frehley à banda que integrou de 1973 a 1982 e de 1996 a 2002. O próprio guitarrista havia sugerido que “2017 poderia ser um bom ano”. Frehley é um pouco mais misterioso agora. “A possibilidade para isso acontecer está nas mãos de Gene e Paul. Eu já disse que para que a reunião possa acontecer, eles devem pegar o telefone e me ligar”, afirmou. 

O fato é que o Ace Frehley de hoje é bem distante daquele de quando ele deixou o Kiss pela segunda vez, em 2002. Seu conhecido problema com alcoolismo, garantem pessoas próximas, é coisa do passado. Eddie Trunk, radialista especializado no mundo do heavy metal e amigo de Frehley, disse no ano passado que “ele está há 10 anos sóbrio e isso se refletiu na personalidade e na forma como ele toca”.

Algo que, para os fãs do Kiss que já viram o fabuloso guitarrista aos tropeções no palco, é uma boa notícia. Para Frehley, a sobriedade tem lhe trazido bons frutos. Em 2014, ele lançou Space Invaders, disco que pega emprestado o jogo de videogame dos anos 1980, mas essa vai ser a única dose de nostalgia que você encontrará naquelas 12 canções inéditas. O álbum alcançou o nono lugar nas paradas norte-americanas com um hard rock puro, sem invencionices, mas que evita olhar para trás esteticamente. Ali, a voz envelhecida de Frehley não se esconde. Pelo contrário, com linhas de guitarra musculosas, ele canta sobre si, sobre o passado, como em Reckless, e futuro, em Immortal Pleasures – nesta última, ele diz já ter experimentado “prazeres desconhecidos pelo homem comum”. 

Em São Paulo, Frehley deve apresentar canções de Space Invaders, mas, principalmente, músicas dos tempos de Kiss, mas sem a pirotecnia e os exageros visuais da sua ex-banda. “O que gostamos é de tocar essas músicas”, ele explica. “E adoro isso: chego à casa de shows 10 minutos antes, converso com a banda, tomo uma água e vamos para o rock!” 

ACE FREHLEY 

Tom Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281, Chácara Santo Antônio, tel. 4003-1212. Dom. (5), às 20h. R$ 200 a R$ 390 

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