Lila Downs dá aula de México com show em SP

A cantora mexicana Lila Downs, que dividiu os microfones com Caetano Veloso na festa do Oscar, em março, inicia hoje em São Paulo uma turnê cantando no Sesc Santo André. Ela já esteve no Brasil antes, cantando no Mercado Cultural de Salvador, mas é a primeira vez que faz uma série de shows no eixo Rio-São Paulo. Natural de Oaxaca, no México, região que tem 16 diferentes idiomas indígenas, Lila canta misturando inglês, espanhol e mixteco, a língua de seus antepassados, que aprendeu com a mãe. "Oaxaca é uma região que tem uma topografia muito variada, na Costa do Pacífico, com áreas de selva, matas, deserto e costa marítima. Eu cresci muito perto do mar", ela contou, em entrevista ao Estado, já em São Paulo. Apesar da ligação forte com a tradição, Lila tem uma abordagem universal da arte do canto. "Estudei canto clássico, mas senti num determinado momento que estava estagnada. O canto clássico tem uma certa rigidez, típica das escolas de música ocidental. Então, me encaminhei para o jazz, que não tem barreiras, uma música aberta às possibilidades do som, à pureza do som", diz. Lila Downs está em turnê de lançamento do disco Línea/Border, no qual homenageia todos os imigrantes que tentam cruzar ilegalmente as fronteiras ? o México. "Meu povo, a etnia mixteca, tem feito esse caminho por muitos anos, para trabalhar no cultivo das laranjas, nas uvas, na fabricação do vinho", conta. "Achei que era importante prestar essa homenagem a eles, cujo caminho está tão marcado pelo sofrimento e a discriminação." Curiosamente, Línea/Border parte de uma referência cultural norte-americana para relatar essa saga. Trata-se da canção This Land Is Your Land, de Woody Guthrie, na qual Lila enxertou um verso, em inglês: "When did you come to America?" (Quando você veio para a América). "Com isso, eu quis dizer que todos somos imigrantes na América. Em algum momento, seus pais ou seus avós vieram para os Estados Unidos?, afirma a cantora, que é formada em Antropologia Social pela Universidade de Minnesota e estudou jazz na Filadélfia, nos Estados Unidos. Lila não prega a separação social, mas a tolerância. "Não podemos generalizar nada. Os Estados Unidos são um país muito grande, como o Brasil. Tem comunidades intelectuais, pessoas com curiosidade que têm um apreço verdadeiro pela música legítima. Claro, há quem não compreenda e não se interesse em compreender, que não esteja preocupado em abrir sua mente para as diferenças culturais que existem no mundo. Mas é uma gente menos educada", pondera. Lila Downs - Hoje às 21h no Sesc Santo André: Rua Tamarutaca, 302, 4469-1200, R$ 5 a R$14. Amanhã às 21h e domingo às 18h. Sesc Pompéia: Rua Clélia, 93, 3871-7700, R$8 a R$20.

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