Líder do Clash, Joe Strummer é tema de novo documentário

Há trinta anos, o documentaristainiciante Julien Temple recebeu um ultimato do Clash, uma dasduas bandas punks de Londres que ele estava acompanhando. "Você tem de escolher. Não pode ter tanta cobiça, cara.Você tem de escolher entre a gente e eles", disseram os membrosdo Clash a Temple. Então, ele escolheu "eles" -- os Sex Pistols. E acabourealizando dois filmes: "The Great Rock 'N' Roll Swindle" e "OLixo e a Fúria". Temple também realizou videoclipes paraartistas como Rolling Stones e David Bowie. O Clash também se deu bem, tornando-se um mito do rock comsua mistura de letras políticas e estilos musicais com raízesno reggae e rockabilly. Seu terceiro álbum, "London Calling",foi considerado o melhor disco dos anos 1980 pela revistaRolling Stone, mesmo tendo sido lançado em 1979. Temple às vezes trombava com o líder do Clash, JoeStrummer, mas não eram amigos próximos. Isso mudou há cerca deuma década, quando Strummer comprou uma casa de campo emSomerset, Inglaterra. A amizade dos sobreviventes do punk foiestimulada por terem em comum um idealismo de esquerda eorigens de classe média. Foram bons tempos, que terminaram em 22 de dezembro de2002, quando Strummer morreu de um problema de coração que eledesconhecia, enquanto lia o jornal sentado no sofá. Ele tinha50 anos. Temple, agora com 53 anos, foi uma das pessoas quecarregou o caixão do amigo no funeral. Agora, ele presta homenagem a Strummer no documentário "JoeStrummer: The Future is Unwritten" (Joe Strummer: o futuro nãoestá escrito), que estréia em Nova York e Los Angeles nasexta-feira. O filme já estreou em boa parte da Europa. FILÓSOFO EQUIVOCADO O documentário de duas horas narra a infância privilegiadade Strummer como filho de diplomata, o suicídio de seu irmãomais velho, seus dias de hippie nos "squats" (prédios invadidosilegalmente por comunidades alternativas) de Londres, suaascensão à fama com o Clash, e sua luta para encontrar umpropósito na vida depois que seu autoritarismo levou a banda ase separar. A tendência de Strummer de magoar as pessoas mais próximasé um tema recorrente, assim como seu viés maquiavélico e suaânsia pela fama. Ele foi um mulherengo, mas também um anfitriãosedutor e um pensador profundo, que sempre falou contra ainjustiça. "Eu o considero um filósofo e uma pessoa que tinha umcódigo de vida que é muito viável", disse Temple. De seus antigos colegas de Clash, apenas o baixista PaulSimonon recusou-se a participar do filme. O baterista TopperHeadon, que batalhou longamente contra o vício em heroína,fez-se de difícil, mas finalmente contou histórias de Strummerroubando sua namorada e expulsando-o da banda. A entrevista de Temple com o guitarrista Mick Jones começoude forma desastrosa, ainda que os dois músicos sempre tivessemse dado bem. "Ele ficou incrivelmente desconfortável, nervoso. E aquilome afetou, e não conseguimos falar nada por meia hora", disseTemple. Mas eles acabaram soltando a língua e Jones falou porhoras. Strummer narra o filme, com áudio retirado de cerca de 100entrevistas e trechos de seu programa de rádio "LondonCalling", da BBC World Service. A maior parte das imagens do filme é inédita, incluindo 14minutos de imagens em preto-e-branco da época em que o Clashfoi formado. A família de Strummer também cedeu seu arquivo. Temple disse que ficou impressionado com o número de fotosdo arquivo, que continha até mesmo imagens do músico na épocado colégio, onde Strummer era -- segundo o próprio -- umboca-suja encrenqueiro.

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