Líder do Bauhaus, que projetou a grande onda gótica, faz show único na cidade

Líder do Bauhaus, que projetou a grande onda gótica, faz show único na cidade

Segundo Peter Murphy, apresentação terá canções como 'Kingdom’s Coming, King Volcano, Double Dare, In the Flat Field' e 'God in an Alcove'

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2013 | 19h49

Poucas vozes soaram tão soturnas nos anos 1980 quanto a de Peter Murphy à frente de sua banda Bauhaus. Um dos hinos do pop sombrio daquela época foi Bela Lugosi’s Dead, do Bauhaus, canção de 1979 que serviu de alicerce para muito da subcultura gótica e da música pós-industrial que se viu depois (do Nine Inch Nails ao Sepultura, de Marilyn Manson a The Horrors, de Björk ao Radiohead).

O Bauhaus viveu até 1983, sendo base sonora do filme Fome de Viver (1982), com David Bowie e Catherine Deneuve. Daí o grupo se separou (criaram o Love & Rockets), reagruparam-se em 1998 e na metade dos anos 2000 para gravar um bom disco, Go Away White, e finalmente pararam de novo em 2006. Até que, este ano, Peter Murphy resolveu comemorar os 35 anos de existência do Bauhaus com uma turnê, que chega agora ao País. Acompanhado de Emilio Di Zefalo (baixo e violino), Nicholas Lucerco (bateria) e Mark Thwaite (guitarra), Murphy toca nesta quarta (14) no improvável Carioca Club, em São Paulo.

“A banda com a qual estou excursionando está comigo há 8 anos. Eles podem tocar o negócio e, eu sei que isso pode soar esquisito, mas na verdade eles podem tocar melhor que o Bauhaus podia ao vivo. Mas tenho sido o maior advogado da causa do Bauhaus ao longo desses anos, tentando mantê-los juntos, e não funcionou duas vezes. É muito verdade que isso é mais genuíno do que se fosse alguma retrospectiva”, explicou Murphy recentemente.

Ele diz que há de fato, nas plateias, um estranhamento quando procuram pelo guitarrista Daniel Ash e outros membros originais da banda no palco e não encontram. Mas considera que, passados cinco minutos, toda a desconfiança se esvai.

Segundo Murphy, o show terá canções como Kingdom’s Coming, King Volcano, Double Dare, In the Flat Field e God in an Alcove, além dos grandes hits do grupo, como Kick in the Eye, Passion of Lovers e Bela Lugosi’s Dead.

O nome da banda de Murphy, Bauhaus, alude à experiência vanguardista alemã que ditou os rumos estéticos da primeira metade do século 20, preconizando uma sintonia entre a arte e os processos de produção em massa.

O cantor britânico foi viver em Istambul, na Turquia, logo após o fim do Bauhaus, nos anos 1980. Casou com uma coreógrafa turca que vivia em Londres e migrou. Tiveram dois filhos. Ele passou a simpatizar com o islamismo, com o tesouro cultural que considera a base da religião e sua espiritualidade. Por conta disso, chegaram a dizer que ele eliminou do seu repertório algumas músicas que não condiziam com o espírito do islamismo, como Stigmata Martyr (fundada no cristianismo).

“Isso é um mito. Eu parei de tocá-la em 1998 porque, para ser honesto, não achava que os outros integrantes da banda realmente soubessem do que tratava a letra, e a intenção coletiva subitamente se tornou muito antirreligiosa. E a canção não é antirreligiosa de jeito nenhum. A mensagem é, de fato, sobre os perigos da obsessão, da indução psicossomática daquele masoquismo”, afirmou.

Em 2009, última vez que esteve em São Paulo, Murphy contou que não quis ver o filme Control, de Anton Corbijn, sobre a banda Joy Division. “Anton tem uma boa compreensão da música dos anos 1970 e 1980, e também das classes operárias de Manchester. Mas não fico confortável com filmes de rock, não importa quão bem realizados sejam. Não vejo sentido em glorificar algo que é trágico, o suicídio de uma pessoa. Não quero que, quando eu morrer, as pessoas façam romarias até meu túmulo. É só uma pedra, não é saudável.”

PETER MURPHY

Carioca Club.Rua Cardeal Arcoverde, 2.899, Pinheiros, tel. 3813-8598. 4ª, às 20 horas.

R$ 125/ R$ 380

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