Leo Maia prova que o suingue corre nas veias

Há cerca de cinco anos batalhando para lançar seu primeiro disco, o cantor e compositor Leo Maia, filho de Tim Maia, reuniu oito canções próprias, além duas em parceria com Bernardo Vilhena (Ficar Nu e Ela Dá Um Show), outra em parceria com o guitarrista Charles Marsillac (História de Amor), uma canção assinada por seu baixista Alexandre Processo seu tecladista Ubiratan Marques (Flor de Laranjeira) e mais uma feita em parceria pelos irmãos Ubiratan e Ubirajara Marques (Água da Fonte), no álbum Cavalo de Jorge. Essas faixas traçam a linha conceitual-suingada do CD Cavalo de Jorge, que acaba de ser lançado pela Indie Records e com o qual Leo inicia turnê nacional, começando por São Paulo, no Cie Music Hall (Av. Jamaris, 213, Moema), na sexta, dia 29, às 22 horas. Acompanhado pela banda, faz um passeio por seu disco, relembra canções do pai e ainda toca uma música inédita, Para Nunca Mais Dizer Adeus, que fez recentemente com ajuda de seu cavaquinho, enquanto estava em estúdio, e não está no repertório do disco. "Compor é espiritual, divino." Com Cavalo de Jorge, Leo Maia mostra a que veio e que pode simplesmente ter a influência do pai, sem necessariamente revisitar a obra dele. E a influência não pára na musicalidade: está desde em um certo jeito de cantar até na postura que assume diante do mercado fonográfico. Mas é o suingue que lhe corre pelas veias é que fala mais alto. "Sou cria de baile", define-se. "A maior contribuição do meu pai foi conciliar a soul music internacional com a MPB. Essa foi a grande sacada." E essa é sua fonte primordial para fazer música, apesar de ele preferir não se associar diretamente a um ou outro estilo. "Definir um estilo para mim é complexo. Sou mutante, artista tem de ser mutante, experimentar. Sou operário da música e fã dos mestres." No álbum, Leo veste o suingue de rock, samba, soul, groove e até reggae. "O suingue é inerente, está em qualquer estilo." Começa bem, com o contagiante rock-soul Doidão. Exibe plena afinidade com o groove em faixas como Ela Dá um Show e Soul Plebe, e para provar que não está fechado a estilos, arrisca no campo romântico na balada História de Amor, que foi incluída na trilha sonora da série juvenil da Globo, Malhação. "Acho isso bacana, entrar na casa dos brasileiros."

Agencia Estado,

26 de julho de 2005 | 12h05

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