Léo Maia, filho de Tim, desponta na música

O contrato de cinco discos com a Sony Music estava assinado e as gravações bem adiantadas. Mas a gravadora quis interferir no projeto e o artista não queria ficar estigmatizado apenas como "o filho de Tim Maia". Léo Maia não pensou duas vezes. Rompeu o acordo e, em vez de afastar o estigma, ficou mais perto dele: sem querer, fez aquilo que o pai cansou de fazer ao longo da carreira. "Foi um casamento que não deu certo. Gravei metade do repertório do que seria o primeiro disco, mas a Sony queria um produto voltado para a obra do meu pai", explica. "Quero homenageá-lo e canto as canções dele com o maior prazer. Mas tenho as minhas próprias músicas e quero essas canções no meu disco." Apesar do desentendimento, Léo Maia não perde da determinação. "Vou botar esse disco para fora de um jeito ou de outro. Não boto uma fé que a indústria deixe um Maia ´dando mole´, sem gravadora." Quando o mercado fonográfico ´deu mole´, Tim jogou duro. Depois de gravar quatro álbuns pela Polygram, ele entrou em atrito com a gravadora e resolveu abrir seu próprio selo, Seroma - sigla criada a partir das primeiras sílabas do nome completo do cantor, Sebastião Rodrigues Maia. E Léo não descarta a possibilidade de seguir um caminho parecido. "Tenho um baú com 40 composições e o disco está sendo moldado", diz. "Até o Carnaval do ano que vem, com certeza, meu disco já estará na rua. Se não for por uma grande gravadora, será independente." O álbum já tem até nome: Central da Alegria Tour - de São Jorge a São Sebastião - uma referência ao pai e ao padrinho, Jorge Ben Jor. A influência de Tim, portanto, é escancarada e Léo pode até gravar músicas do pai síndico. "Gostaria de gravar algo mais ´lado B´, talvez alguma coisa da fase racional", divaga, referindo-se aos dois discos gravados por Tim para a seita Universo em Desencanto - ambos raríssimos em vinil e nunca lançados em CD. Nos shows, o compositor sempre canta alguma faixa do pai. "Canto um medley romântico com Azul da Cor do Mar, Primavera e Você que as meninas adoram", diz. De outros compositores, o repertório das apresentação tem Baby (Caetano Veloso), Ébano (Luiz Melodia) e Bebete Vambora (Benjor). Filho de Tim, primo de Ed Motta, afilhado de Ben Jor e protegido de Nelson Motta, Léo Maia tem ótimas referências musicais por perto. Mas ele sabe que essa aproximação vai gerar cobrança. "É muito sério ser representante do clã Maia."

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