WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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Leo Jaime faz 'apologia à dança' em seu novo show

'Dança Comigo' foi inspirado na vitória do músico no quadro 'Dança dos Famosos', do 'Domingão do Faustão'

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2019 | 05h00

Se o palco reflete a vida, Leo Jaime resolveu escrever sua biografia ali mesmo, diante da plateia que vai ocupar as cadeiras do Tom Brasil, no próximo dia 13 de julho, talvez não por acaso o Dia Mundial do Rock. Leonardo Jaime, de 59 anos, natural de Goiânia, roqueiro, baladeiro, jornalista, bailarino, escritor e ator, dança muito antes de vencer a disputa pop Dança dos Famosos, no programa Domingão do Faustão. Em dezembro de 2018, ele e a bailarina Larissa Parison se tornaram assunto mesmo a quem não acompanhava mais o programa de Fausto Silva. As imagens de suas performances foram parar nas redes sociais e uma certa comoção tomou conta de quem via a dedicação de Leo diante das câmeras, bailando e lutando contra uma série de situações que pareciam prontas para expô-lo com grande potencial de ridicularização.

As regras eram claras. Os convidados recebiam uma música com um ritmo sobre o qual poderiam não fazer ideia do que se tratava na terça-feira para estarem com tudo na ponta dos pés na sexta. Tinham quarta e quinta para ensaiar um número longo, acertar figurinos e se apresentar em rede nacional no final de semana. “Aquilo foi uma ralação seriíssima”, ele lembra. “Depois de adulto, depois de engordar, eu passei a ter vergonha de dançar, achei que poderia ser ridículo. Acabei aceitando, mas achando que não iria dar em nada.” Ele e Larissa ganharam a disputa e Leo venceu seu último fantasma. Ele podia dançar e fazer o que quisesse sendo exatamente quem era. “As pessoas que eu amo gostam de mim como eu sou. As que não gostam, azar o delas.”

Vencer um especial de dança na TV é algo que fez a ponte entre seu passado e o que seria seu futuro. O futuro é agora, presente no show que ele fará dia 13 inspirado na experiência da dança. Dance Comigo terá Leo tocando, cantando, dançando, interagindo com a plateia. A dança será um foco. “Fico muito feliz quando as pessoas me dizem que dançaram muito com minhas músicas. Isso me faz pensar que essas canções não despertam necessariamente admiração, mas afeto.” O passado é sua história.

No início da vida artística, quando chegou ao Rio de Janeiro, Leo fez teatro e usou muitos dos recursos dramatúrgicos nas bandas que teve logo em seus primeiros anos de Rio, Nota Vermelha e João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. Duas notas biográficas aqui, pouco conhecidas: 1) Foi Léo quem descobriu uma bailarina cheia de ginga e talento chamada Fernanda Abreu. A Blitz a viu dançando em um show do Nota Vermelha e a convidou para o grupo. 2) Foi Leo quem começou a colocar o Barão Vermelho na história. Frejat e seus amigos o viram cantar no bar Emoções Baratas, que Claudio Manoel havia aberto para arrecadar dinheiro em prol da criação do jornal Casseta Popular (que desembocaria do grupo Casseta & Planeta), e o chamaram para o grupo. Mas Leo já tinha duas bandas e resolveu indicar um cara que levava jeito para o negócio, um garoto chamado Cazuza.

Ser artista era um sonho desde que, menino, ele entrou em uma matinê de cinema para assistir A Hard Day’s Night, dos Beatles. Acabou virando artista em muitas frentes, criando e deixando bandas e atuando em musicais, novelas e filmes, mas consagrou-se sobretudo em sua carreira de cantor solo. Sessão da Tarde, o disco de 1985, é um clássico dos anos 80 ainda a ser reavaliado melhor pela história. Seu humor só aparentemente ingênuo, traficante de ideias libertárias, e sua sonoridade de 1960 influenciada por Erasmo Carlos, renderam canções, todas em um único disco, como A Fórmula do Amor, A Vida Não Presta, As Sete Vampiras, e Solange (uma versão genial de So Lonely, do Police, em ‘homenagem’ a uma censora do regime militar chamada Solange Hernandes).

O jornalismo também chegou e o primeiro emprego foi no jornal O Globo, em 1988, com Leo escrevendo sobre TV. Sua primeira matéria quase rendeu a demissão sumária. Ao falar sobre a estreia do projeto de filmes semanais Tela Quente, que a Globo exibe até hoje, às segundas, Leo se esqueceu de que escrevia no jornal da maior empresa televisiva do País e mandou essa: “Para quem não tem videocassete em casa, é uma boa.” Roberto Marinho não achou graça e pediu sua cabeça, mas seu superior o manteve com um sorriso maroto.

A música vem forte agora, mesmo sem um disco novo. O show conta com músicas que fazem apologia à dança desde que nasceram, como As Sete Vampiras, A Fórmula do Amor, Conquistador Barato, Mensagem de Amor, A Vida Não Presta e O Pobre (parceria com Herbert Vianna). Ele canta ainda Rock pra Cachorra, sua mas que todos pensam ser de Eduardo Dussek, e Gatinha Manhosa, de Erasmo Carlos, mas que todos pensam ser sua. “A dança é o que salva a música”, ele reflete, juntando as pontas. “Sem dança, ela nunca seria usada na festa.”

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