Leny Andrade e Eliane Faria cantam em São Paulo

O samba, o pagode, a bossa e duas gerações de cantoras cariocas encontram-se em São Paulo, mais precisamente na Pompéia. Leny Andrade chega de Nova York para cantar composições de Altay Veloso e clássicos da bossa nova e do jazz em shows hoje e amanhã no Teatro do Sesc Pompéia. A poucos metros dali, na Choperia do Sesc, Eliane Faria, filha de Paulinho da Viola, grava seu primeiro CD, Alma Feminina, durante apresentação ao vivo.A cantora Leny Andrade vem para mostrar sua alma popular. Depois de lançar no fim do ano passado o álbum Leny Andrade Canta Altay Veloso, no qual extravasa o pagode e o samba, ela quer "deixar essa coisa elitista de ser conhecida como cantora de jazz e bossa nova".Morando em Nova York há seis anos, a cantora desembarcou no Rio de Janeiro na quinta-feira e tratou de saborear um singelo, mas aguardado, prato de arroz e feijão. "Nos Estados Unidos há panamenhos, mexicanos e cubanos que cozinham maravilhas, mas não há nada como a nossa comida, assim como a nossa música", exalta.Saciada a saudade da comida brasileira, ela explicou como foi a descoberta de Altay Veloso. Instrumentista autodidata, o compositor começou sua carreira como guitarrista da cantora Wanderléa. Suas músicas ficaram famosas nas vozes de Roberto Carlos, Elba Ramalho, Alcione e outros. Recentemente, suas composições foram gravadas por grupos de pagode e cantores sertanejos, como Só Pra Contrariar, Exaltasamba, Leonardo e Roberta Miranda."Fui convidada a gravar um texto como Virgem Maria para o CD de Altay, que entra na música Estrela Luminosa. É muito forte, acabei gravando a música, o disco e dei o nome dessa canção ao show, que faz referência à santa e não a mim, como muitos pensam."Leny afirma que a maior qualidade de Veloso é falar fácil, sem ser popularesco. "Ele é chique. Não me interessa se os pagodeiros cantam o que ele compõe. Eu o leio a minha maneira", frisa. Mas os fãs do samba-jazz da cantora também serão contemplados. A primeira hora do show é recheada de canções como Wave, de Tom Jobim, Saigon, de Djavan, e também alguns boleros.Samba no sangue - Já a cantora e compositora Eliane Faria se apresenta na choperia do Sesc Pompéia com show em homenagem às grandes cantoras do samba. Neta do violonista César Faria e filha de Paulinho da Viola, desde criança ela freqüentou rodas de samba ao lado de nomes como Noca da Portela e Nelson Sargento.Com 35 anos, duas filhas - de 13 e 11 anos - e esperando a terceira, Eliane irá gravar agora seu primeiro CD, apesar de já contar 7 anos de carreira. "Quis amadurecer as idéias, tenho muitas músicas inéditas, mas pretendo fazer um CD que funcione como o prefácio da minha carreira", explica.Os shows (a cantora também se apresentou ontem) serão transformados no disco Alma Feminina, e contam com interpretações de canções que ficaram famosas na voz de Elizeth Cardoso, Clara Nunes e outras. "Optei por um disco ao vivo para captar a emoção dessas músicas que eu ouvi desde criança e para ter um maior contato com o público".Elas por ela No repertório destacam-se Banho de Felicidade, já cantada por Jovelina Pérola Negra; Barracão, por Elizeth Cardoso; Alguém Me Avisou, por Ivone Lara; Tava Dormindo e Embala Eu, por Clementina de Jesus, e 1.800 Colinas, por Beth Carvalho.Apesar de tanta intimidade com a música, Eliane só decidiu seguir carreira de cantora aos 28 anos. "Fiz de tudo, teatro, dança, queria ser atriz. É aquela coisa de fazer o que a família não fez", diz. Mas não adiantou negar seu destino. Acabou sendo convidada a participar de um grupo vocal feminino, uma espécie de prólogo do projeto do CD. "E veja que coincidência: não sabia que Leny Andrade se apresentaria hoje. Vai ser mesmo uma noite com alma feminina".Leny Andrade - Teatro do Sesc Pompéia. Hoje, às 21 h; amanhã, às 18 h. Ingressos de R$ 6 a R$ 12. Eliane Faria - Choperia do Sesc Pompéia. Hoje, às 21h30. Ingressos de R$ 5 a R$ 10. Sesc Pompéia (R. Clélia, 93, tel.: 3871-7700)

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