Lenine mostra "Falange Canibal" em SP

Lenine costuma dizer que é compositorprofissional e intérprete ocasional. Mas as 8 mil pessoas quelotaram (perigosamente) o Canecão no fim de semana passado paraassistir ao show Falange Canibal, estavam atrás de ambos.Foram ouvir as músicas que ele reservou para si mesmo, entre asmais de cem que compôs para outros artistas gravarem. Oespetáculo, que chega este fim de semana ao Sesc Vila Mariana,é curto (com o bis, chega a uma hora e dez minutos), enxuto evibrante e chega aos grandes centros amadurecido. "Pelaprimeira vez, pude acertar os ponteiros em apresentações pelosteatros do Sesc do interior de São Paulo", conta Lenine.Apesar de fornecer músicas aos borbotões para artistasbrasileiros (Elba Ramalho, Daniela Mercury, Ney Matogrosso, oRappa) e estrangeiros (Dione Warwick, entre outros), Lenine sepreserva como intérprete. Em 20 anos de carreira, lançou sócinco discos, com um grande intervalo entre o primeiro BaqueSolto, de 1983, em parceria com o também pernambucano LulaQueiroga, e o segundo, Olho de Peixe, de 1992, dividido como percussionista Marcos Suzano. "Felizmente, minha sociedadecom uma grande gravadora é bem-sucedida e me permite ser umartesão como intérprete. Cada disco ou show tem um fio condutore cada faixa é burilada por mim e meus cúmplices. A idéiainicial é intuitiva, mas sofre rebuscamento que exige tempo."Esse método foi mantido em Falange Canibal, que temcomo base o CD, mas revisita sucessos dos anteriores, O Dia emQue Faremos Contato e Na Pressão, todos elogiadíssimospela crítica e, apesar de não ultrapassarem os cem mil discosvendidos, não saem de catálogo. "Não posso deixar de cantar nosshows Jacksoul Brasileiro, O Silêncio das Estrelas ou TubiTupy, o público exige", adianta ele. "Mas quero mostrar odisco novo, em arranjos próximos ao da gravação, acrescidos dascontribuições dos músicos e do pessoal do som, que funciona comoinstrumentista também."Apesar de começar com uma canção lenta, FalangeCanibal é pauleira na maior parte do tempo e leva o público adançar. Mas tem luz e efeitos eletrônicos pré-gravadoselaborados. "A iluminação funciona como cenário, pois querolevar o show completo a todos os lugares. Depois de São Paulo,vamos viajar pelo Brasil, começando pelo Norte e Nordeste. Noano que vem, vamos à Europa, pois o disco está lá também."Não só está como vende muito bem para um artista quecanta em português, misturando sons de todos os lugares, sobreuma base totalmente brasileira. Essa carreira internacionalproporciona a Lenine uma indicação para o Grammy Latino, elogiosdo prestigiado Jon Pareles, crítico do New York Times, o alto daparada de sucessos em rádios especializadas da Inglaterra, eboas vendagens no Japão. Isso sem contar a França, onde saiu dasemissoras étnicas para as convencionais e vende, em média, 30mil cópias a cada disco lançado."Lá é um caso especial. Antes de fazer outras cidades,vou estar em Paris nos dias 10 e 11 de outubro, no La Cigalle",conta Lenine que, modestamente, não diz que esta é uma dasmaiores e mais prestigiadas casas noturnas da capital francesa,situada no Pigalle, um bairro revitalizado como a Lapa carioca.Mas o trabalho de Lenine não se orienta por essa universalidade."Sempre tive o mesmo discurso e a cabeça aberta para encontrarsimilaridades em outras culturas. Não é preciso sair daqui paraconhecer e/ou se fazer ouvir lá fora. O bom de viajar é que agente aprofunda relações, ganha novos cúmplices."Lenine. Amanhã e sábado, às 21 h; e dom., às 18 h. De R$ 10 a R$25. Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, tel. (11) 5080-3000.

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