Lenine lança álbum gravado em Paris

O compositor e cantor Lenine faz parte de um filão seleto de música brasileira apreciada pelos europeus. A paixão dos franceses por sua música é escancarada. "Considero a França meu segundo país", afirma, em entrevista por telefone de Lisboa, por onde passava sua turnê européia de Falange Canibal. Todo ano, ele inclui a Europa no roteiro, especialmente a França. "A boa relação vem desde 1994, paralelamente ao desenvolvimento de minha carreira no Brasil", comenta. Como uma espécie de sagração a esse longo caso de amor com os franceses, Lenine participou, em Paris, da Carte Blanche, um dos projetos de música popular mais importantes na Europa, realizado anualmente na sala de concertos Cité de la Musique, no complexo de La Villete. Foram dois dias de apresentação, no final de abril, para uma platéia lotada. O músico foi um privilegiado, já que, antes dele, apenas um brasileiro, Caetano Veloso, havia se apresentado lá.Para o compositor pernambucano, o projeto Lenine InCité rendeu a gravação de um CD ao vivo, com músicas inéditas - como Todas Elas Juntas Num Só Ser (Lenine /Carlos Rennó), Sentimental (Lenine/Lula Queiroga /Arnaldo Antunes), entre outros - e um DVD, o primeiro da carreira, que inclui também seus antigos sucessos. Lenine, conhecido por não ser nem um pouco óbvio, volta a inovar lançando um disco ao vivo, só com canções inéditas, compostas especialmente para ele, e deixando seus sucessos para o repertório do DVD. Em resposta às samplers e outras tantas informações tecnológicas de seu CD anterior, Lenine, desta vez, optou por uma concepção mais "orgânica", pontuada por pausas, por silêncios, com ênfase nas letras, nos violões, nas cordas. "Prevaleceu a figura do trovador, que foi o cronista, o documentarista de sua época. E neste trabalho, eu incitei meu lado trovador ocidental." Para acompanhá-lo nos shows, Lenine convidou artistas, que estivessem conectados com ele musicalmente. Lembrou-se de Yusa, compositora, cantora, baixista e pianista cubana, que conheceu num festival internacional de cinema em Cuba, e do músico argentino Ramiro Musotto, que vive no Brasil há anos e bebe, como poucos estrangeiros, nos ritmos brasileiros. O trio "cubamericano" se encontrou no Brasil e por aqui ensaiou durante duas semanas. "Foi um encontro bacana, que só viu quem esteve nas apresentações da Carte Blanche ou quem comprar o DVD. Não haverá um show como aquele, cada um de nós tem sua própria carreira", avisa o compositor. A previsão é de que o pacote CD e DVD ao vivo só deva ser lançado entre agosto e setembro. A turnê de Lenine chega ao fim em agosto e, na seqüência, ele promete pegar sua banda e iniciar o novo tour com Lenine InCité.

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