Lenine e suas andanças pelo mundo, no MTV Acústico

Desde outubro de 2004, quando lançou "In Cité", gravado ao vivo na Cidade da Música em Paris, o cantor ecompositor Lenine viajou o Brasil e o mundo (com elogios no "LeMonde" e no "New York Times"), produziu o segundo CD de Maria Ritae compôs a trilha do próximo balé do Grupo Corpo, "Violenta", aser encenado em 2007. Por isso, quando recebeu o convite paragravar o MTV Acústico, um formato que ainda não visitara em seusmais de 25 anos de carreira, não compôs nada para o show gravadono Auditório do Ibirapuera. O CD já está nas lojas, o DVD demoraum mês. "Era irrecusável, assim como "In Cité". São ambos aovivo, mas diferentes. Lá eram músicas inéditas, uma bandapan-americana (a cubana Yusa e o argentino Ramiro Musotto). Aquibusquei novos caminhos para músicas antigas, completados com ascordas e metais de Ruriá Duprat (sobrinho do maestro RogérioDuprat). É muito mais difícil mudar o arranjo habitual de umacanção que criar um arranjo novo", disse ele, diante do mar daUrca, na zona sul do Rio. "Esta é minha paisagem em casa. Porisso, as coisas caminham bem."Andanças pelo mundo Acústico tem também convidados que resumem suas andançaspelo mundo. O camaronês Richard Boná (com quem divide "A Medidada Paixão") é companheiro desde as primeiras andanças pelaFrança. A mexicana Julieta Venegas (em "Miedo") é nomeimportante no jazz latino. Gog ("A Ponte") é um brasiliense quecitou Lenine em seu disco "Tarja Preta" e Igor Cavalera ("DoisOlhos Negros") faz duetos com ele desde os tempos do Sepultura.A harpista Cristina Braga ("Paciência") e o oboísta VictorAstorga ("O Último Pôr-do-Sol") deram novo toque às músicasantigas. "Escolhi as canções em função dos convidados. Além disso gravei músicas que não tinham registro em disco ou que cantoraramente. É o caso de "Lá e cá" e "Paciência". Incluí também ossucessos que não podem sair de meus shows, como "Hoje Eu QueroSair Só", O "Último Pôr-do-Sol" e "Jack Soul Brasileiro"",enumerou. Os dois hits de "In Cité" ("Do It", incluída na trilhada novela "Belíssima", e "Todas Elas num só Ser", quilométricadeclaração de amor) ficaram de fora. "São muito recentes." A música do Corpo é uma nova experiência para Lenine,que já musicou filmes e peças de teatro. Como acontece nasencomendas do grupo mineiro, ele teve liberdade total para criar "O único pedido foi uma peça de 50 minutos. Não houve sugestãode tema, estilo, orquestração, nada. Pela primeira vez trabalheicom música instrumental", adianta ele, que conta como compõe."Primeiro, resolvo a canção. Depois vejo a melhor forma delevá-la para o disco. Só depois penso como ficará no palco. Senão há grande diferença entre o som do estúdio e o do show, éporque trabalho com uma banda afiadíssima, integrada, que leva omesmo astral para a música ao vivo ou não." Lenine faz o show "In Cité" domingo, às 11 horas, noParque do Ibirapuera, em São Paulo, no projeto Bons Fluidos, daEditora Abril, e começa a viajar com Acústico em outubro, depoisdas eleições. Embora tenha recebido este nome do pai, comunistae admirador da antiga União Soviética, prefere não envolver suaarte com política. "Como cidadão voto, mas hoje só para oscargos em que acredito haver bons candidatos. Ainda não os tenhopara o Executivo. Sou também solidário a meus companheiros deprofissão, mas minha música é apartidária", avisa ele, semesconder uma ponta de decepção com o governo do PT. "Mas nãovejo diferença entre o Lula presidente e o candidato que perdeutrês vezes. O que noto aqui é um nicho de dor e orgulho, que vitambém na Rússia, onde estive recentemente, e Cuba. Orgulho porser uma nação que tentou um caminho novo e dor porque nãoaconteceu como esperávamos."Concerto Bons Fluidos. Auditório Ibirapuera (área externa).Avenida Pedro Álvares Cabral s/n.º, portão 3. Dom., 11 h. Grátis

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