JF Diorio|Estadão
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Lemmy do Motörhead, a face selvagem e viciosa do heavy metal

Músico morreu aos 70 anos, em sua casa nos EUA

David Villafranca, EFE

29 de dezembro de 2015 | 10h50

LOS ANGELES - Lemmy Kilmister, o líder e farol do grupo britânico Motörhead, encarnou a cara mais selvagem e viciosa do heavy metal ao largo de mais de quarenta anos, nos quais uniu os decibéis e o ruído dos amplificadores com um estilo de vida selvagemente roqueiro.

“Se você acha que está muito velho para o rock n’ roll, é porque está mesmo”, escreveu Lemmy na sua autobiografia White Line Fever (2002), um livro em que resumiu com humor as lendas que o converteram em uma figura indispensável do rock pesado e acelerado, tanto por suas aventuras no palco como por suas farras com sexo, drogas e álcool nos bastidores.

Ian 'Lemmy' Kilmister nasceu em 24 de dezembro de 1945 em Stoke-on-Trent (Reino Unido) e cresceu sob os cuidados de sua mãe, já que seu pai o abandonou meses após o nascimento.

“Minha primeira recordação é estar gritando: para quem e por qual motivo, não sei. Provavelmente era uma besteira… ou pode ser que eu estivesse ensaiando. Sempre fui muito precoce”, explicou o músico, sempre um defensor do lema “mais rápido e mais alto”.

Como adolescente, Lemmy viveu o nascimento do rock com uma paixão autêntica, e Buddy Holly, Little Richard e logo os Beatles se converteram em seus ídolos, antes de que nos anos 1960 pudesse trabalhar como parte da equipe de Jimi Hendrix em uma turnê pelo Reino Unido.

Em 1971, Lemmy entrou na banda de rock espacial Hawkind, com quem permaneceria como baixista até 1975, ano em que foi detido no Canadá por posse de drogas.

Foi na metade dessa década que ele fundou o Motörhead, com o guitarrista Eddie Clarke e o baterista Phil Taylor (morto em junho de 2015 aos 61 anos), a formação clássica de uma banda que se converteria em uma referência inevitável e fundamental do heavy metal.

Rápido, agressivo e muito potente, o Motörhead, com Lemmy no baixo e no vocal, estreou em 1977 com um álbum homônimo, mas foram discos como Overkill (1979) e Ace of Spades (1980), também título de uma de suas canções mais famosas, que lhe deu uma grande popularidade em todo o mundo do rock mais pesado e vertiginoso.

Impulsionado pela carismática presença de Lemmy, sempre com roupa escura, os característicos bigode, chapéu e pose desafiadora, o Motörhead passou por diversas mudanças na formação, mas seu vocalista sempre esteve à frente do grupo, que em 2015 se aproximava dos quarenta anos em atividade e que lançou o álbum número 22 de sua discografia, Bad Magic.

A fama de Lemmy também se beneficiou de todas as lendas e mitos que rodearam sua figura: a de grande vivente do rock, o amante do bourbon e das drogas, o colecionador de objetos nazistas e o mulherengo sem controle.

“Decidi me dedicar à guitarra em parte pela música, mas ao menos uns sessenta por cento da responsabilidade há que se atribuir às garotas”, assinalou Lemmy em sua autobiografia.

Poucos dias depois de completar 70 anos, Lemmy morreu em sua casa de Los Angeles (EUA) nesta segunda-feira, 28, em decorrência de um câncer fulminante.

Ele preparava para 2016 uma nova turnê pela Europa com seu companheiros de Motörhead, Phil Campbell e Mikkey Dee, que em um comunicado lamentaram a morte do seu líder e pediram a seus seguidores que brindassem por ele e por sua obra, recordando o lema do grupo: “Nascido para perder, vivo para vencer”.

 

 

There is no easy way to say this…our mighty, noble friend Lemmy passed away today after a short battle with an extremely...Posted by Official Motörhead on Segunda, 28 de dezembro de 2015

 

Colegas e figuras do rock como Ozzy Osbourne, Nikki Six (Mötley Crüe) e Gene Simmons (Kiss) expressaram sua tristeza pela morte de Lemmy, considerado “um guerreiro”, “uma lenda” e “um pilar de dignidade”.

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