Marcelo Brammer/Divulgação
Marcelo Brammer/Divulgação

Legião Urbana homenageia músicas de Renato Russo e comemora 30 anos do primeiro disco em SP

Banda de Brasília teve André Frateschi nos vocais e evocou a força das letras do seu líder, morto em 1996

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2015 | 10h23

Então vamos falar de música? Esqueça as brigas judiciais. Deixe para lá os desentendimentos entre o espólio de Renato Russo, comandado pelo filho dele, Giuliano Manfredini, e os integrantes remanescentes do Legião Urbana, o baterista Marcelo Bonfá e o guitarrista Dado Villa-Lobos. Por duas décadas o Legião Urbana não encontrou a sua legião, os fãs, de maneira satisfatória – por isso, não entra na conta o show com ator Wagner Moura.

A turnê que comemora os 30 anos do primeiro disco do grupo estreou em Santos, passou pelo interior do estado e, na noite de sábado, 7, chegou a São Paulo. A casa de shows Espaço das Américas borbulhava, do lado de dentro e fora, na ansiedade pelo reencontro. Jovens, não nascidos quando Legião Urbana, o disco, saiu e impactou diretamente o rock nacional, amontoavam-se na grade que separava a pista comum e a premium, esta mais próxima do palco no qual Dado e Marcelo receberam convidados para os vocais de Renato, morto em 1996. 

Louvável o esforço dos integrantes  do grupo de Brasília em mostrar seu antigo  letrista como insubstituível. Escalaram como vocalista principal o ator André Frateschi, alguém que já conhece o caminho das pedras para interpretar canções dos outros, vide seu projeto com covers de David Bowie. A presença dele, no palco, é comedida. Cede os microfones para Dado, Marcelo, e outros cantores  chamados aos montes, de fã vencedor de concurso a Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, numa participação em Monte Castelo, Quase Sem Querer e Índios. 

A celebração é, em tese, em homenagem às três décadas do primeiro álbum, executado do começo ao fim, de Será a Por Enquanto, mas acaba por ser uma grande ode ao líder já morto da banda. Ele, por sua vez, tem seu primeiro trabalho como compositor esquadrinhado, seus pontos fortes e seu lado compositor mais pueril.

Não é por acaso que o show engata, mesmo, quando banda e convidados iniciam a jornada por toda a discografia do Legião.  Aí, sim, fãs e músicos no palco se encontram naquela sinergia perfeita. Um verdadeiro coral entoava, junto com a banda, os longos versos de Faroeste Caboclo, por exemplo. A celebração dos 30 anos é uma desculpa para algo maior. As letras de Renato soam tão atuais quanto nos anos 1980. Parece profético, até.

Infelizmente,  companheiros de banda e filho, rivais na justiça, levam mais a sério o verso “amar o próximo é tão demodé” do que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”,  e essa iniciativa levou 20 anos para acontecer – e sabe-se lá quando vai voltar.   

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