Laura Fygi se apresenta na Via Funchal

Pela terceira vez em São Paulo, a cantora holandesa Laura Fygi faz show único hoje na Via Funchal, em que vai mesclar standards da grande canção americana, jazz, bossa nova, música francesa e clássicos latinos. "O show é diferente das outras vezes em que estive aí, mas vou cantar músicas que me fizeram popular no Brasil", diz a cantora por telefone de Amsterdã, onde mora. Dona de voz suave e melódica, ela prefere canções românticas e antigas. "Eu cantava música moderna quando era do Centerfold (grupo pop holandês dos anos 80), mas acho que há tantas canções bonitas para se cantar que não me importo em procurar novidades. A música feita hoje não é tão melódica, tão poética quanto as antigas."Como sua conterrânea Josee Koning, Laura é apaixonada por bossa nova e Antonio Carlos Jobim. Por causa da música brasileira, Josee decidiu aprender português e fala fluentemente o idioma. Não é o caso de Laura. Apesar de surpreender cantando bossa quase sem sotaque, ela não entende português. "Mas além de tomar cuidado em pronunciar as palavras corretamente, procuro sempre saber o significado da letra antes de cantar", diz Laura, que domina o inglês, o francês e um pouco de espanhol castelhano. Ela viveu no Uruguai durante algum tempo nos anos 90, daí a influência latina em seu trabalho, que inclui um bom álbum do gênero, The Latin Touch (1999).Há quem pense que Laura é americana ou mesmo italiana. "Acho que é porque falo bem inglês, sem sotaque, tenho cabelos pretos, nome internacional, canto música francesa, americana, brasileira. Às vezes é difícil mesmo reconhecer minha origem. Tem gente que me confunde com Laura Pausini", diverte-se.No entanto, ao que parece, ela não sofre de crise de identidade, embora de holandesa só tenha a origem. "Adoro meu país, adoro meu povo, mas nunca cantei nem jamais vou cantar em holandês, porque não é exatamente uma língua. O holandês é muito duro", analisa, bem-humorada. "Eu também já cantei em chinês para o mercado asiático e quando faço isso nos shows as pessoas enlouquecem. É o mesmo quando canto em português no Brasil. Só que o chinês não é realmente um idioma bonito como o francês. Quando ouço o brasileiro falar, sinto como se a voz estivesse dançando."Em 15 anos de carreira-solo, Laura fez a fama interpretando repertório acessível e conservador, em arranjos nem sempre dos mais criativos no início. Por ter começado com standards de jazz com o álbum Introducing Laura Fygi (1991), seguido de Bewitched (1992), ela ficou identificada com o gênero. Seu álbum mais recente, Change (2001), que gerou uma versão ao vivo gravada no lendário clube londrino Ronnie Scott, marca sua volta ao velho estilo. "Não me considero uma cantora de jazz, sou mais uma contadora de histórias", define-se.A primeira investida de Laura na bossa nova foi no álbum The Lady Wants to Know (1994), que incluía clássicos de Jobim, como Corcovado e Dindi, e da música latina, em versões voltadas para o pop (que já dava sinais em Bewitched). Em 1999, ela dedicou um disco inteiro ao cancioneiro de Michel Legrand (Watch What Happens), com arranjos e orquestrações do próprio autor. Dois anos antes eles haviam se encontrado pela primeira vez no North Sea Jazz Festival. Sua gravação mais recente lançada no Brasil está numa das faixas do CD One more for the Road, do gaitista belga Toots Thielemans, que já tinha tocado com ela em The Lady Wants to Know.Um ano e meio depois de se apresentar na mesma Via Funchal, Laura volta acompanhada de Cor Bakker (piano), Gerhard Jeltes (bateria), Leonardo Amuedo (guitarra) e Sérgio Barrozo (baixo). O roteiro inclui Corcovado e Dindi (ambas de Jobim), I Will Wait for You (Legrand)e All of me (Simons/Mark). Seu próximo projeto é um álbum de canções americanas que ganharam letra em francês. O CD deve sair em 2007.Há quem a acuse de não acrescentar muito ao já feito, mas para quem procura o conforto do habitual à moda antiga, ela não decepciona. Além do mais, ela já estabeleceu uma relação de grande empatia com os fãs brasileiros. "Das outras vezes me diverti muito. O público é muito expressivo e é bom também porque ri quando conto uma piada." Laura Fygi. Via Funchal (3.071 lug.). Rua Funchal, 65. Informações e vendas: 3089-6999/ 3897-4456, 5.ª, 21h30. R$ 40 a R$ 150

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