'Last Night', de Moby, remete ao passado das pistas

Novo trabalho do músico traz vários convidados, como a cantora Sylvia, da subestimada banda Kudu

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

12 de maio de 2008 | 17h21

Não há nenhuma dúvida que Last Night, o novo disco de Moby não é uma unanimidade. Muitos o rejeitam peremptoriamente, por achar que é redundante e meio "farofeiro". Last Night, não por acaso, remete-se diretamente a um clássico dos clubs de 1982, Last Night a DJ Saved My Life, do Indeep.  Veja também:Ouça 'Disco Lies', do disco 'Last Night', de Moby   Mas Moby é Moby, já inscreveu seu nome na história por ter ajudado a dar personalidade e sofisticação à música eletrônica, em meados dos anos 1990.  Não é possível ouvir qualquer faixa de seus discos, como 18 e Play, e não saber imediatamente de quem se trata, com suas atmosferas de rock espacial, inefáveis pianinhos e os scats rasgados de cantoras de R&B. Last Night traz vários convidados, como a cantora Sylvia, da subestimada banda Kudu, de Nova York, que Moby considera ter algo de Billie Holiday. Moby falou ao Estado. Depois de um sucesso como Play, que vendeu milhões ao redor do mundo todo, como é voltar ao tamanho real? Quero dizer: não é mais possível vender um milhão de discos na nova conjuntura da indústria musical. No início, eu nunca imaginei que ia ter um contrato para fazer música. Nunca imaginei ter uma carreira como músico. Eu comecei fazendo música no meu quarto, aproveitando a experiência, fazendo a coisa com prazer. Eu ganhava a vida como professor. É claro que sou muito grato pela possibilidade de ter feito tanto sucesso, de ter tocado para milhares, de ter ido a lugares aonde jamais poderia ter ido sem o sucesso. Mas minhas motivações ainda continuam as mesmas de sempre. A última vez que você veio aqui foi com a turnê do disco Hotel. Naquela noite, você tocou Sepultura, Doors e Radiohead. E aí você disse: "Vamos fingir que estamos em 1984." A que você se referia? Eu brincava com aquela atitude básica de tocar três acordes, atitude do punk rock, que mudou tanto as coisas. Eu adoro reviver essa época. Fui três vezes ao Brasil. Estive em festas com o pessoal do Sepultura, fiquei amigo do Yggor Cavalera, e também entrei numa festa muito bacana em Belo Horizonte, convidado pelo Caetano Veloso, e saí bêbado dali. Fiquei impressionado pelo jeito como ele é reverenciado. É um mito. Você tem uma experiência na internet, o site Moby Gratis, no qual dispõe música livre. Você acredita que está ali o futuro da música? Não sei. No momento, é o que eu quero fazer para ajudar, não estou planejando nada revolucionário. Agora simplesmente estou liberando música que possa ser usada por cineastas e estudantes de cinema que a queiram utilizar em suas trilhas sonoras. O meu site Moby Gratis já foi usado por 4 mil pessoas.  O hip-hop está muito presente no seu disco, em faixas como Alice. Em 1982, quando eu comecei a fazer música, o que mais me influenciava era o hip-hop de Grandmaster Flash, aquela cena de Nova York e Washington. Eu fui DJ por muitos anos, e esse disco tem a pretensão de resgatar algo daqueles anos, a forma como a dance soava nos clubes de Nova York, por exemplo. Um tipo de compêndio dos últimos 25 anos de minha experiência nos clubes. Quem colabora também nesse disco é Grandmaster Caz, pioneiro do rap em Nova York. A dance music sempre está-se renovando, e agora parece que é a hora de uma cena new rave, não? Acho que é uma hora boa para toda a música, especialmente a dance indie. Há diversos grupos muito bons, entre eles Klaxons, Simian Mobile Disco e o Justice. Há espaço para cada diferente fatia da dance indie, porque a internet democratizou tudo isso. Eu gosto da cena new rave, porque, se você presta atenção à abordagem deles, vê que é interessante e fresca, com aquele background do rock e a pulsão da dança.

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