Lançamentos recuperam trajetória de Koellreutter

Até o final do ano, chegam ao mercado quatro trabalhos de recuperação da trajetória do músico alemão naturalizado brasileiro Jens-Joachim Koellreutter. O primeiro deles, que pode ser visto a partir desta sexta-feira, na TV Senac, é o documentário Koellreutter e a Música Transparente, da produtora paulistana Documenta Vídeo Brasil. No dia 11 de Setembro, no Museu da Imagem e do Som, o pianista Sérgio Villafranca e o compositor, hoje com 84 anos, apresentam o espetáculo Concerto Comentado, em que, como o próprio nome indica, um executa as peças e o outro comenta. Villafranca, discípulo confesso de Koellreutter, também lança nos próximos meses o CD Concertos Comentados. Para o final do semestre mais dois projetos estão sendo preparados. A Documenta Vídeo Brasil lança um dos Concertos Comentados em VHS. A produtora pretende exibi-lo em canal a cabo.(clique nos links abaixo para ver um trecho do documentário) 28 Kbps Real Player Windows Media Player Quick Time 100 Kbps Real Player Windows Media Player Quick TimePor último, há o livro Koellreutter Educador, da pesquisadora Teca Alencar de Brito, diretora da escola Teca Oficina de Música. Com lançamento previsto para novembro pela editora FMCGomes, da Faculdade de Música Carlos Gomes, o livro procura retratar o trabalho como pedagogo e educador desenvolvido pelo compositor.Dedurado - Hans-Joachim Koellreutter nasceu em Freiburg, Alemanha, em 1915. Sua relação com a família foi sempre tumultuada. Precoce, entrou em contato com a música aos 8 anos. Iniciou então seus estudos à revelia da família. Influenciado pela "nova música" que surgia no continente europeu, principalmente a de Shoenberg, foi um dos primeiros a introduzir as inovações sonoras do velho mundo no Brasil. Defensor do socialismo quando adolescente - e pela vida toda -, foi dedurado pelo pai, médico monarquista e conservador, ao regime nacional-socialista de Hitler. Chegou ao Brasil fugido do nazismo.Aportou no Rio de Janeiro em 37 e, desde então, desenvolveu os mais diversos trabalhos musicais. O primeiro deles foi o grupo Música Viva, que defendia a composição racional como meio para a libertação da linguagem sonora. Professor, compositor, ensaísta, seu método pedagógico libertário seduziu os principais compositores e estudantes brasileiros. Tantos os eruditos quanto os populares. Formou, entre outros, Tom Zé, Tom Jobim, Guerra Peixe, Issac Karabitchevisky, Júlio Medaglia, Diogo Pacheco e Rogério Duprat. Foi amigo pessoal de Villa Lobos, freqüentou os bares de choro no Alto da Lapa, conheceu e se apaixonou pela música brasileira, a qual influenciou de forma direta e indireta. Por essa paixão pelo País que o acolheu, naturalizou-se brasileiro no final dos anos 50.Ensinou e compôs no Rio de Janeiro, no Conservatório Brasileiro de Música, e posteriormente, onde pôde executar com maior liberdade suas idéias, na Escola Livre de Música da Bahia, que ajudou a fundar. Percorreu o mundo. Hoje, prestes a completar 85 anos, continua ensinando e explicando a sua obra e, principalmente, as suas idéias. Resgata-se, ao resgatar sua vida e seu trabalho, um recorte fundamental da história de nossa música, por meio de um de seus maiores e mais influentes personagens.Koellreutter e a Música Transparente - Estréia do documentário dia 1º de Setembro às 21h30 na STV. Concerto Comentado - Sérgio Villafranca e Koellreutter, dia 11 de Setembro, às 21h, no Museu da Imagem e do Som (MIS).

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