Breno Pires/AE
Breno Pires/AE

Lágrimas e aplausos marcam o enterro de Chorão em Santos

Mais de 5 mil pessoas passaram pela Arena Santos, onde o corpo do cantor foi velado

Zuleide de Barros - Especial para o Estado,

07 Março 2013 | 17h31

SANTOS - Aplausos e lágrimas marcaram a saída do cortejo fúnebre de Alexandre Magno Abrão, o Chorão, da banda Charlie Brown Jr, que foi enterrado nesta quinta-feira, no Memorial Metrópole Ecumênica, o cemitério vertical de Santos, localizado no bairro do Marapé. Mais de 5 mil pessoas passaram pelo Arena Santos, o maior ginásio esportivo da cidade, onde o vocalista foi velado desde a noite de quarta-feira. Não só adolescentes, mas gente de todas as idades fez questão de prestar a última homenagem ao cantor e compositor, que era considerado um dos maiores divulgadores da cidade. Por onde passava para fazer shows, falava de Santos e do seu time do coração: o Santos Futebol Clube.

Por isso, a limusine que levou o corpo passou em frente ao estádio da Vila Belmiro e também pela sede do Chorão Skate Park, uma pista de skate, especialmente construída pelo vocalista para a prática do esporte, que era outra paixão. O apelido Chorão veio das primeiras manobras do skate, porque chegava a chorar, quando se machucava. Várias crianças e adolescentes que se iniciaram no esporte afirmam que a inspiração veio do Chorão que, apesar de todo o sucesso, era uma figura bastante popular na cidade. Ele era visto não só na sua pista, mas na Praça Palmares, onde existe uma pista pública, na plataforma do emissário submarino, no bairro do José Menino, e pelas praias, em geral, que dizia ser "seu escritório".

Exatamente por esse lado popular do vocalista é que muitos fãs criticaram a rigidez do grupo que fez não só a segurança do velório, mas da área próxima ao cemitério, onde o corpo foi sepultado. O motoboy Edmílson Ferrari, de 38 anos, que veio de Jundiaí, não se conformava com a barreira imposta pela segurança para que os fãs se despedissem de Chorão. "Um cantor que transmitia muita energia positiva para os seus fãs não poderia ficar assim tão isolado", disse. Edmílson afirmou que nem no velório de Ayrton Senna, do qual ele participou, havia tanta distância assim. "Perdemos o direito de prestar a última homenagem ao nosso ídolo", declarou.

Mais sorte teve Fábio Andrade, de 36 anos, que teve oportunidade de se despedir mais de perto do amigo de infância. "Conheci todos os componentes do grupo: Marcão, Champignon e Thiago", lembrava ontem, acompanhado da filha Bruna Galvão Andrade, ainda de uniforme escolar. A menina, que já pratica skate, inspirada no roqueiro, chorava compulsivamente durante a passagem da limusine. "Tinha que trazer ela aqui, de todo o jeito, para se despedir do tio, como ela falava". Para Fábio, ele perdeu o amigo e ídolo, mas a cidade perdeu um dos seus maiores divulgadores. "É uma perda irreparável para a música e também para Santos, que não será mais a mesma, sem o Chorão", completava.

Reverência

A mãe do vocalista, que tem 80 anos e teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) recente, esteve no velório, no final da manhã de ontem, quando as portas do ginásio esportivo foram fechadas para que ela pudesse prestar a última homenagem ao filho. Ela também participou do sepultamento, que teve uma segurança bastante rígida. Uma quadra antes da chegada ao cemitério, na Avenida Nilo Peçanha, policiais militares fecharam o acesso de veículos e até de pedestres, que foram impedidos de entrar no Memorial. Outra multidão se formou nas imediações e não arredou pé até a hora do sepultamento. Por várias ruas onde o cortejo passou, a população prestava reverência ao cantor. Em frente à pista de skate, na Vila Mathias, dezenas de mensagens e vasos de flores foram deixados na calçada. Quando a limusine passou em frente ao estádio da Vila Belmiro, uma bandeira gigantesca da torcida Sangue Jovem foi hasteada e o cortejo foi saudado com uma queima de fogos. Os funcionários da área administrativa do clube fizeram questão de descer e permanecer na porta do estádio para aplaudir o cortejo.

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