La Carne canta crônicas urbanas

banda que se apresenta segunda-feira, às 20 horas, no Woodstock Music Club, dentro do projeto Novas Caras Paulistas, não gravou acústico para a MTV. Nem assinou contrato publicitário com nenhuma companhia de refrigerantes. Tampouco está lançando disco ao vivo ou freqüentando as paradas de sucesso das rádios FM. Está fora e, desde 1994, segue bravamente na periferia do mercado fonográfico.É exatamente essa distância das artimanhas da indústria da música pop nacional que confere uma série de atrativos ao La Carne. É por excelência uma banda de rock alternativo ? seja lá o que o termo possa significar neste fim de século.Não que os integrantes tenham paixão pela instabilidade financeira tão comum aos independentes. Sensatos, conservam ?a duras penas? as atividades extramusicais em pleno funcionamento. ?É melhor nem comentar, nossas carreiras profissionais beiram o embaraçoso?, ironiza o vocalista Linari. A banda é formada ainda pelo guitarrista Fernando Jordão, pelo contrabaixista Carlos Remonte e pelo baterista Fábio Escanhuela. ?Tentamos contato com diversas gravadoras e só recebemos tapinhas nas costas?, diz Linari, que com os companheiros de banda financiou a gravação do primeiro CD. ?Resolvemos continuar tocando independentemente da indústria.?O primeiro e único registro do La Carne foi lançado em 1998. O CD, que leva o nome da banda, traz 12 ótimas músicas que refletem as preferências estéticas dos integrantes. Em especial, a sonoridade dos anos 80. ?Foram os anos das manifestações do pós-punk e do boom das bandas paulistas, um período bastante criativo?, observa o guitarrista Fernando Jordão, fã dos escoceses do Cocteau Twins e dos norte-americanos do Jon Spencer Blues Explosion.As letras assinadas por Linari são verdadeiras crônicas urbanas que surpreendem pela originalidade. A grafia literal do português falado nas ruas, sem o recurso previsível das gírias ou dos palavrões, é o que acompanha os acordes das canções inspiradas.É o caso da faixa Jukebox que traz os versos propositalmente toscos: ?Os cara pegaros taco de bilhar e foro pra cima dos hôme ontianoite (cê tava dormindo).? Num misto inconsciente de crítica social e procura por redenção, Linari fala em De uma Lembrança Estranha: ?Vem cá cheirar minha boca, hoje eu não passei no bar, tava jogando pedra na janela de Deus, não consegui dinheiro hoje não, não consegui aquele trampo hoje não.? Linari revela que as letras são primeiro balbuciadas nos ensaios, depois escritas. ?O que me interessa é a fala, minhas letras são resultado da escrita espontânea.??Por intermédio do recém-lançado site www.lacarne.com.br, o grupo tem reafirmado a atitude independente. Curiosos e ouvintes em potencial podem adquirir o CD via Internet. O portal também contém biografia do grupo, fotos, recomendações de CDs e links com outros sites. Vale a pena dar uma visitada. ?Estamos mantendo contato com bandas do Brasil inteiro?, comemora Linari.Para a apresentação de logo mais à noite, o cantor promete novas composições que atendem pelos nomes de Tava aqui Pensando, Brasa no Pé e Todos São Livres. As canções farão parte do segundo CD, que o grupo pretende gravar até o fim do ano. As bandas Nihilo (psicodelismo e punk) e 1853 (rock setentista) também integram o programa.

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