Kiri Te Kanawa canta no Parque do Ibirapuera

Uma mistura das árias e canções que fizeram a fama da neozelandesa Kiri Te Kanawa compõe a apresentação que a soprano faz domingo no Parque do Ibirapuera, ao lado da Orquestra Filarmônica de Mulheres, regida pela maestrina Cláudia Feres. Em outras palavras, trechos de óperas de Puccini, Charpentier e Cilea, lado a lado com canções de musicais da Broadway como West Side Story e Showboat. "Sempre escolho minhas obras favoritas, aquelas que amo cantar. Afinal, não consigo pensar em algo pior do que cantar alguma coisa que me desagrade", diz a soprano ao Estado. Esta não é a primeira vez que Dame (ela foi condecorada pelo Império Britânico em 1982) Kiri Te Kanawa vem ao Brasil. A experiência desta vez troca o intimismo da música de câmara pelo grande público. Isso muda algo no modo de se preparar da artista? "Acredito que não, sempre me preparo da mesma forma, seja quando vou interpretar um recital ou fazer um grande concerto como este no Brasil, ou ainda uma récita de ópera", diz ela, bastante sucinta nas respostas. Apresentações para o grande público, de qualquer forma, não são novidade na carreira de Kiri. Há pouco mais de dez anos, reuniu cerca de 140 mil pessoas em um concerto em Auckland, durante turnê pela Austrália e Nova Zelândia, recorde para uma soprano, batido talvez só por ela mesma, se contarmos que, por meio da televisão, cerca de 600 milhões de pessoas a viram cantar durante a cerimônia de casamento do Príncipe Charles e Diana. Kiri, agora às vésperas de completar 60 anos, ganhou o status de grande estrela do canto lírico no início da década de 70. Foi da noite para o dia, depois de uma apresentação como a condessa nas Bodas de Fígaro, de Mozart, no Royal Opera House Covent Garden, em Londres. Foi sua estréia em ópera, mesmo que em sua terra natal ela já tivesse trabalhado em concertos sinfônicos e mesmo gravado alguns discos. E Mozart passaria a desenvolver papel fundamental em sua carreira. "As pessoas costumam dizer que ele é o ponto ideal de partida para qualquer cantor em início de carreira. Para mim, foi de fato o melhor, já que minha voz encaixava-se perfeitamente naquelas óperas. Mas isso não pode ser transformado em uma regra, não há duas vozes que sejam iguais." Como foi que mudou o papel da grande diva ao longo dos anos? "Diva é uma palavra criada pela mídia, pela imprensa. Não me associo com essa descrição, é simplesmente um termo que não me diz nada". Avon Women in Concert. Com a participação especial da soprano Kiri Te Kanawa. Domingo, às 11 horas. Grátis. Parque do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º

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