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Kenny Wayne Sheperd traz seu 'blues de alta voltagem'

Direto da escola dos young lions do gênero, surgida no vácuo deixado por Stevie Ray Vaughan no final dos anos 1990, guitarrista chega para um festival gratuito neste domingo (27), no Parque Ibirapuera

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2019 | 06h00

Os festivais de blues tradicionais não existem no Brasil desde os anos 90, e esperar que eles retornem às origens com nomes puristas em um momento de retração do gênero no mundo pode ser frustrante. Mas o blues tem um trunfo. Seu nome sempre será justificado mesmo entre os roqueiros, desde que uma das atrações tente se manter a alguns passos de Muddy Waters. O Samsung Best of Blues tem aproveitado a liberdade poética do gênero célula tronco de tudo o que se tornou música pop para trazer, mais uma vez, uma edição híbrida a São Paulo.

Os shows serão neste domingo (27), a partir das 18h, de graça, na parte externa no Auditório Ibirapuera, e a composição ficou assim: a abertura será com as irmãs gêmeas brasileiras Tati e Nina Pará. Uma história interessante, e uma sonoridade competente, produzida por uma baterista e uma guitarrista centradas no rock e no blues desde o começo de suas carreiras, há mais de 15 anos. Algo para ser visto com atenção. Às 18h40 será a vez do curinga da vez, Kenny Wayne Sheperd. Aos 42 anos, casado com a filha de Mel Gibson, Kenny surgiu como um tornado em 1995, com o disco Ledbetter Heights. Algo em suas mãos e em sua voz impressionava, sobretudo, pela fidelidade à sonoridade do guitarrista Stevie Ray Vaughan, com um vigor que parecia chegar para preencher alguns 10% do vazio deixado pela morte do ídolo em um acidente de helicóptero em 1990. Mas os anos se passaram, outros discos vieram, e o tornado se tornou brisa no campo do blues. Ao mesmo tempo, Kenny assumiu outras influências, do country e do rock, e movimentou-se para uma região mais pop. A noite termina sob o peso de Zakk Wilde, a partir das 19h50, que traz sua Black Label Society. Feroz escudeiro de Ozzy Osbourne, Zakk é o nome mais distante do blues nesta edição.

Kenny Wayne Shepherd estará com Noah Hunt (um grande vocalista), Scott Nelson (baixo), Joe Krown (teclados), Joe Sublett (sax), Mark Pender (trompete) e Sam Bryant (bateria). Sua formação é uma big band nos dias de hoje, algo que valoriza a sonoridade cheia mostrada em The Traveller, seu álbum mais quente, de 2019. Apesar de faixas interessantes como Gravity e se algo southern rock, como Tailwind, é quando se aproxima do blues rock, como na potente I Want You, que ele faz lembrar o menino enfurecido de 1995. 

Kenny fala ao Estado, primeiro, sobre um movimento muito comum entre jovens brancos e urbanos surgidos com guitarras no pescoço de 1990 para cá, todos seduzidos por Ray Vaughan. Uma turma da qual fazem parte John Meyer, Johnny Lang e ele mesmo, que primeiro se apresentam como blueseiros para, no segundo ou terceiro álbum, buscarem algo comercialmente mais viável. “Eu sempre fui atraído pelo blues, mesmo quando criança. Você pode perceber que uso influências de outros estilos, mas a raiz de todas elas é o blues. Há emoções e sentimentos reais ali, e eu acho que é a isso que todos podem se conectar.”

Sobre Ray Vaughan, a pergunta é o quanto do guitarrista resta em suas veias: “Stevie Ray Vaughan foi muito importante para mim. Eu o vi tocar quando eu tinha sete anos e queria muito poder tocar com aquele mesmo tipo de paixão. Eu implorei aos meus pais por uma guitarra depois de vê-lo e pronto, esse foi o começo da minha viagem. Sem Stevie Ray Vaughan não haveria Kenny Wayne Shepherd.” Ele diz que seu primeiro show no Brasil terá um “blues de alta voltagem”. 

Kenny não concorda que a cena mundial do blues sofra uma espécie de entressafra, com poucos nomes de destaque em ação. “Está havendo uma espécie de renascimento. Existem alguns ótimos artistas começando e fazendo nome. Tenho amigos excursionando pelo mundo inteiro.” Quanto a nomes brasileiros do gênero, ele diz que sabe de alguns, sem citar nomes, e que espera conhecê-los quando chegar ao País.

Há uma questão sobre a qual não comenta em suas respostas por e-mail. “Existiria ainda algum desconforto entre músicos de blues brancos e negros nos Estados Unidos? Ike Turner morreu dizendo que brancos como Elvis apenas roubaram os negros. BB King morreu agradecendo aos brancos ingleses por redescobrirem os bluesmen americanos nos anos 1970. Qual a sua opinião? Mas ele apenas diz: “Eu tenho amor por todos e não comento perguntas potencialmente controversas.”

SAMSUNG BLUES FESTIVAL.

DOMINGO (27), A PARTIR DAS 18h. AUDITÓRIO 

IBIRAPUERA (PLATEIA EXTERNA). 

ENTRADA GRATUITA COM TATI E NINA PARÁ (18H),

KENNY WAYNE SHEPERD (18H40) E ZAKK WYLDE (19H40). 

AVENIDA PEDRO ÁLVARES CABRAL, 

S/Nº. ENTRADA FRANCA 

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