Keane empolga em SP com show politicamente correto

Sem atrasos e com declarações de amor ao País, banda britânica retorna com nova turnê 'Perfect Symmetry'

Gabriel Pinheiro, estadão.com.br

11 de março de 2009 | 02h27

Pontualmente às 22h30, os roqueiros britânicos do Keane subiram ao palco do Credicard Hall, em São Paulo, na noite de terça-feira, 10, para um show marcado pela animação de seus integrantes e várias declarações de amor ao País. Com melodias assobiáveis, muito teclado e guitarras em segundo plano, em pouco mais de uma hora e vinte minutos o grupo abusou do português carregado no sotaque enquanto mesclava novas canções de Perfect Symmetry (2008) com hits antigos que atingiram o topo das paradas europeias. A banda realiza sua segunda turnê pelo Brasil, e além de São Paulo ainda passará por Belo Horizonte, na quinta-feira, e pelo Rio, na sexta. Mas segundo o vocalista Tom Chaplin, desta vez foi diferente. "Na primeira vez, fomos recebidos de braços abertos, mas nesta noite foi algo muito maior", afirmou, para delírio dos fãs que praticamente lotavam o local. Sem uma grande produção, a apresentação do Keane apóia-se muito no carisma de Chaplin. "Esqueçam seus problemas e divirtam-se", convidou em português o roqueiro no início do show, antes de cantar Everybody's Changing, sucesso do primeiro álbum, Hopes and Fears (2004). Deixando de lado os palavrões, a postura da banda no palco é uma antítese do que se pode esperar para um espetáculo de rock, mas nem por isso a performance ou resposta do público sai prejudicada. Homens e mulheres com camisetas do Oasis, grupo inglês famoso por inúmeras polêmicas, por exemplo, vibraram com Perfect Symmetry, faixa título do novo álbum, definida pelo vocalista como "uma música em protesto da paz." No entanto, são nas canções diretas e de maior peso que o show do Keane parece funcionar melhor. Crystal Ball e Is It Any Wonder? não vieram precedidas de dedicatórias de Chaplin, mas de longe foram as que mais empolgaram os fãs, junto com Somewhere Only We Know, música responsável por tirar os britânicos do anonimato. Uma versão de Under Pressure, clássico que resultou de uma parceria do Queen com David Bowie, também foi bem recebida no bis. O grupo deixou o palco com a promessa de voltar "muitas outras vezes" para o País, classificado por Chaplin - em um português arrastado - como "o coração do mundo". Antes de sair, ele ainda pediu para que as pessoas aplaudissem o Fresno, banda gaúcha que abriu a apresentação, no último de uma série de gestos politicamente corretos que pontuou aquela noite.

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