Karina toma a pauliceia

Compositora faz show memorável para lançar o primeiro álbum-solo

Lauro Lisboa Garcia - O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2010 | 08h56

O show de lançamento de Eu Menti pra Você, o primeiro álbum-solo de Karina Buhr, sábado passado na choperia do Sesc Pompeia, foi um acontecimento. No palco e na plateia. Com entrada grátis, amanhã ela faz outra apresentação no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149, 2168-1776), dentro do evento Ocupação Chico Science. Por diversos motivos, não vai ser a mesma coisa, mas Karina domina qualquer palco, afinal, antes de cantar e compor é atriz.

 

Foto: Ariel Martini/Divulgação

 

Como raramente se vê na bem servida noite paulistana, Karina atraiu legião espantosa da cena musical contemporânea: Céu, Curumin, Leo Cavalcanti, Tulipa Ruiz, Thiago Petit, Marcelo Jeneci (que fez breve participação no show), Marcia Castro, Lucas Santtana, Juliana Kehl, Thalma de Freitas, Rica Amabis ? nomes que despontaram ou deslancharam neste século ? e muitos mais, como Péricles Cavalcanti, Arthur de Faria, Luiz Chagas e Taciana Barros. A banda integrada a ela é o suprassumo: Edgar Scandurra, Fernando Catatau, Guizado, Bruno Buarque, Mau e Dustan Gallas.

 

Representativa. É muito significativo que esses talentos todos estejam reunidos em torno de uma das mais expressivas representantes dessa cena, no momento em que a música pop produzida em São Paulo ganha corpo como talvez nunca antes. É uma comunidade que se frequenta e contribui criativamente um com outro, com muito em comum, mas mantendo as personalidades próprias preservadas. Como diz Leo Cavalcanti, "ela pode ser considerada representante de um novo e grande momento da música brasileira, como diz Zé Miguel Wisnik, da canção expandida: música para além da canção, criação para além do berço".

 

Para Jeneci, ela inaugura uma nova era, em que a música produzida no Brasil passa a ter uma força influenciadora maior do que a que se faz fora do País. Karina avança sobre o terreno do experimentalismo artístico com senso de entretenimento. Vem de uma formação teatral e musical ligada à tradição pernambucana, mas é cidadã planetária, múltipla. Eu Menti pra Você, Vira Pó, Solo de Água Fervente e Plástico Bolha já são hits, com todo mundo cantando junto.

 

Ao vivo, as canções são turbinadas. Como boa atriz, ela domina o espaço, redefine caminhos para o pop brasuca sonora e cenicamente sem afetação, seja ironizando uma ideia de ciranda com batida e dança funk ou o amor padrão em baladas como Mira Ira, ou inflamando-se em rocks como Soldat. Como bem lembra Lucas Santtana, "as cantoras no Brasil geralmente têm muito pudor com a própria imagem e esquecem que o melhor lugar para gozar é em cima do palco e com uma banda afiada mandando ver". Karina sabe. E faz.

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