Pedro Banlian
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Karina Buhr e Max B.O. se unem em torno da palavra e estreiam show em São Paulo

Artistas inauguram nova parceria com show na Casa de Francisca, nesta sexta-feira, 13, com releituras e músicas criadas em conjunto

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 06h01

Em algum momento, a ordem das coisas se inverteu. O palco era o espaço de teste para as canções inéditas, posteriormente incluídas em um disco. Agora, as músicas são criadas e testadas no estúdio e, somente após formarem um álbum, vão para as apresentações ao vivo. Karina Buhr nunca gostou da lógica. “Essa coisa de ‘show do disco’ não funciona comigo”, explica a artista. “Tudo isso do show divulgar o disco nunca foi para mim. No meu caso, os meus discos servem para divulgar o meu show”, ela conclui. 

Karina encontrou, na parceria com o rapper Max B.O., alguém disposto a testar a criação no palco, no improviso, no imprevisto e até no erro. Nasce, a partir desta quarta-feira, 13, às 21h30, na Casa de Francisca, localizada no centro de São Paulo, o projeto B.O. e BUHR. E a ideia é testar. Brincar com tudo, mesmo. 

Na tarde anterior à apresentação, Karina e B.O. se reuniam no Butantã, na capital, para ensaiar e fechar os últimos detalhes da primeira vez na qual dividirão o palco juntos. Ao lado da dupla estarão o percussionista Maurício Badé e o guitarrista Regis Damasceno, que, entre outros trabalhos e projetos, é o guitarrista da banda Cidadão Instigado.

“Normalmente fico sozinho na percussão”, explica Karina. A chegada de Badé dá liberdade à artista e preenche ainda mais o espaço no qual B.O. terá a oportunidade de rimar e improvisar. “Eu e Maurício bebemos da mesma fonte rítmica”, conta Karina. “Nós, ao lado de Régis na guitarra, vamos criar algo que não é o beat que o Max costuma usar.” 

B.O. e BUHR é, portanto, um jogo fora da caixinha de ambos. A ideia dela era, a princípio, convidar para participar de um show chamado Voz e Percussão, no qual Karina dividia o palco com alguém.

Em um show de Jorge Mautner com Bem Gil, em outubro deste ano, Rubens Amatto, um dos fundadores da pequenina e aconchegante casa de shows, sugeriu a Karina que fizesse um projeto com B.O., “mas não seria como convidado”, explica o próprio rapper. “Não queríamos que fosse uma participação apenas. A ideia era que cada um tocasse suas músicas, relidas, e tentássemos criar alguma coisa juntos”, conclui.

Ela finaliza: “E fomos criando as músicas, pensando nas versões, nos arranjos. Em dois meses, esse projeto nasceu. Mas o processo não foi intensivo assim. Está no campo das ideias”. 

O plano de B.O. e BUHR é não ter tantos planos assim. Ela, por exemplo, toca apenas uma música do seu disco mais recente, o poderoso e incisivo Selvática, de 2015. “A ideia é fazer coisas novas, mesmo. Até o que for antigo é repaginado, ganhará um novo formato”, explica. 

B.O. se encontrava em uma entressafra. Havia deixado a apresentação do programa Manos & Minas, da TV Cultura, no ano passado, e está em processo de composição de um novo disco. Até o lançamento do álbum – previsto para o primeiro semestre de 2018, “logo depois do carnaval”, explica o próprio –, o show com Karina será a oportunidade para testar o material do álbum. “É um disco que não terá rima sobre batida. Vou experimentar um pouco”, explica. 

E experimentação é a palavra que define, para eles, B.O. e BUHR. “O que nos une é a palavra”, explica ela. Ele conclui: “A palavra é o ponto de partida. Agora, estamos testando o que podemos fazer”. 

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