Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Justin Timberlake aposta no acústico

Cantor fez um belo apanhado de canções, sem incluir faixas do último disco, ‘20/20’

Roberto Nascimento ENVIADO ESPECIAL / RIO,

16 Setembro 2013 | 07h33

Empunhando um violão, de camisa branca e chapéu fedora, figurino longe do classudo smoking feito por Tom Ford que tem usado em apresentações este ano, Justin Timberlake subiu ao Palco Mundo com quase quarenta minutos de atraso, ontem, na terceira noite de Rock in Rio. 

 

Infelizmente, não fez o show de seu último disco, 20/20 Experience, lançado ainda este ano. O que tivemos foi um belo apanhado de canções, tocado por exímios músicos, liderado pelo competente rei do blue-eyed soul contemporâneo, sem identidade visual desenvolvida. 

 

Na setlist, faltou o single Suit and Tie, do 20/20, e a fantástica Strawberry Bubblegum. Mas tivemos uma impecável versão de Pusher Love Girl, apoiada com harmonias secas e cristalinas pelo que deve ser o melhor grupo de backing vocals em atividade no circuito. 

 

Let The Groove Get In, que JT mostra nos talk shows americanos, desde o lançamento do disco, em março, ficou por conta do naipe de metais, que lembra All Night Long, de Lionel Ritchie. Mas no geral, restou ao fãs delirantes (que diga-se, pouco se importaram com a falta de novidades ou um aprumo visual) os medalhões de sua obra: Love Me, Cry Me a River, Señorita e What Goes Around, em versão acústica. 

 

As referências a cocaína, nicotina e outras drogas ao final da canção caem bem com a voz de soulman branco (das poucas vezes em que Justin Timberlake abandona o falsete) e convencem com sutileza.

Justo, pela qualidade do cantor como performer, que consegue cativar durante boa parte do show, mas um pouco desapontador, sendo que 20/20 Experience não só foi lançado este ano, mas terá um novo volume lançado no fim do mês, com participações dos rappers Drake e Jay-Z. 

 

A impressão que fica, se adicionarmos à apresentação a notícia da rápida saída do País, marcada para as 4 h da manhã desta segunda, via jatinho particular, é que Timberlake não perdeu sono com sua apresentação brasileira, juntou um repertório de improviso, já ensaiado em turnês prévias, e deixou para se preocupar com o que mostrará na América do Norte, a partir do dia 31 de outubro. 

 

Timberlake tirou os últimos seis anos de sua carreira musical para concentrar-se em uma bem-sucedida carreira de ator, e completou, em sua volta engomada este ano, um disco calcado em verniz vintage e “soft” de confissões amorosas sobre amantes que viajam pelo espaço. 

 

Das que estavam na setlist do show, Strawberry Bubblegum certamente fez mais falta, com seu falsete, em meio a acordes brandos, de impacto menos óbvio, que ficaria interessante em frente a uma multidão. 

 

Volta. Três viaturas da tropa de choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro esperavam o final do show de Timberlake para escoltar sua comitiva diretamente para o Aeroporto do Galeão. Ele deveria voar do Brasil às 4h30 desta segunda-feira.

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