Robert Gauthier/EFE
Robert Gauthier/EFE

Júri inocenta produtora da acusação de negligência na morte de Michael Jackson

Mãe do cantor processava a AEG Live por ter contratado o médico que administrou drogas que causaram overdose

AP

02 de outubro de 2013 | 21h51

Um júri norte-americano inocentou nesta quarta, 2, a promotora de show AEG Live da acusação de negligência no caso da morte de Michael Jackson. A mãe do cantor estava processando a produtora, responsável pela turnê que ele faria, por ter contratado o médico Conrad Murray. Ele foi o responsável pela morte do músico por uma overdose de anestésico hospitalar que Jackson usava para dormir. 

O julgamento, que durou cinco meses, permitiu um melhor entendimento do abuso de drogas de Jackson e de suas batalhas contra a dor crônica e a insônia. Também esclareceu o duro mundo de negociações envolvendo um dos artistas mais famosos do mundo quando ele buscava reconstruir sua fama após escândalos terem interrompido sua carreira.

Com o veredito, os juízes também afirmaram que não acreditavam que Murray era inapto ou incompetente para exercer suas funções no que dizia respeito a Michael. "Não significa que achamos que ele foi ético", afirmou após a leitura o jurado Gregg Barden. A decisão sobre a competência de Murray terminou com especulações sobre possíveis danos e sobre a responsabilidade pela morte do astro. Após a audiência, o jurado Bryant Carino afirmou que não sabia de quem era a culpa e que não queria "apontar dedos".

O advogado de defesa da AEG Live disse que não poderia estar mais feliz com o veredito, e a mãe de Jackson, Katherine, disse que estava "OK" com a decisão. Seu advogado, contudo, disse-se desapontado. "Obviamente não estamos felizes com o resultado. Exploraremos todas as opções legais e factuais para tomar uma decisão posteriormente. Achamos que, com este caso, provamos coisas que são importantes para a família Jackson e para as indústrias do entretenimento e do esporte no que tange a atuação dos médicos."

Murray foi condedado em 2011 por ter administrado a Michael Jackson a overdose de medicamentos no momento em que ele se preparava para a turnê This Is It, que, em sua visão, marcaria seu grande retorno. Segundo testemunhas, a aproximação do evento deixou o astro inseguro e agravou seus problemas para dormir. Na ocasião, Murray aceitou comprar e administrar, todas as noites, anestésicos que só deveriam ser usados em salas de cirurgia. Ficou provado que apenas o astro e o médico sabiam do uso da droga. Em seu depoimento, o advogado da AEG Live afirmou que a companhia teria intervido caso soubesse da situação.

Por sua vez, a acusação afirmou que a empresa foi negligente por não ter investigado Murray o suficiente. Disse ainda que o contrato mensal de US$ 15 mil para cuidar de Jackson foi uma catapulta para tirar o médico de seus problemas financeiros, o que o transformou em um mercenário - mesmo caso da empresa. A AEG defendeu-se com o argumento de que tratava-se de uma decisão pessoal do músico, que causou seu próprio destino.

Entre as mais de 50 testemunhas, estavam a mãe e o filho mais velho de Michael, Prince, assim como executivos da AEG. Também foi investigada a relação do canbtor com seus muitos médicos, incluindo Murray, que ele conheceu em 2007, e seu histórico de uso de drogas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.