DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO

Juli Manzi coloca wah-wah no samba em novo disco

Recurso clássico do rock mundial dá suingue especial ao seu trabalho solo

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2018 | 06h00

O cantor e compositor Juli Manzi lança hoje, com show em São Paulo, seu sexto álbum solo: Sambas, Pagodes e Uá-Uás. O título do trabalho é autoexplicativo. “O conceito que norteia o álbum partiu da ideia de gravar sambas e pagodes, substituindo o cavaquinho por guitarras com pedais wah-wah, que acrescentam um suingue especial ao ritmo”, explica Manzi, gaúcho radicado na capital paulista.

O pedal wah-wah é um recurso clássico do rock mundial, imortalizado por mestres como Jimi Hendrix, Eric Clapton e George Harrison. O nome do pedal é uma onomatopeia do efeito sonoro que ele produz. 

Manzi faz no disco uma refinada releitura do samba e, principalmente, de seu filho bastardo, o subgênero pagode, em letras com temáticas cotidianas, humor e referências aos mestres do gênero, como em Samba da Lava, uma espécie de homenagem a Bezerra da Silva (1927-2005).

Em No Açúcar, no Trabalho, a faixa que abre o disco, há uma sensação de Você Não Entende Nada, o clássico imortalizado por Caetano Veloso e Chico Buarque. A guitarra (e os pedais) ora confere às canções do álbum um peso de rock, ora uma leveza suingada que em muito lembra a melhor fase de Jorge Benjor. A presença do pedal é marcante na obra. No total, são nove faixas, com destaque também para Vou Pegar Meu Violão

O álbum, de composições próprias, é resultado de dois anos e meio de trabalho no estúdio Tekhnoprana, com produção de Marcel Rocha, antigo parceiro de Manzi que criou e executou todos os arranjos. “Experimentar com liberdade, a especial liberdade que a arte dá, esse é o lema que inspirou o disco. Bairros de São Paulo, passeios de metrô, ócio, boteco, falta de grana, crenças e superstições populares, o amor e suas desventuras, tudo isso faz parte da temática das letras das nove canções presentes”, diz ele.

O álbum marca também a forte parceria de Juli com Tatá Aeroplano, que assina a coautoria em uma das faixas, faz participação em mais duas e cedeu a bateria de sua canção Step Psicodélico. Participam ainda do disco Malu Maria, Bruno Buarque, Dani Vi e Moita Mattos, guitarrista da banda Porcas Borboletas. 

Eclético. “Acho que sempre fui um compositor eclético. Embora haja predomínio do rock nos meus discos anteriores, sempre passeei por funks, reggaes, jazz, chanson française e, até mesmo, sambas. Aliás, eu tinha um estoque bom de sambas no meu acervo pessoal de inéditas, são músicas que compus ao longo de mais de 20 anos de carreira em Porto Alegre, Campinas, Paris e São Paulo.

elecionei algumas e fiz o meu primeiro álbum a concentrar seu repertório num único gênero musical, o samba e seus derivados.”

Manzi também é professor de Comunicação Social e de Artes Visuais, fez o primeiro nanopoema da língua portuguesa usando um microscópio atômico para recriar uma obra de Arnaldo Antunes. Como escritor, ele é coautor da biografia do compositor e underground Júpiter Maçã (1968-2015). Recentemente, voltou a trabalhar como ator no curta-metragem Uma Mulher do Passado, de Larissa Redondo. Ele compõe eventualmente canções infantis para o grupo Angudadá e é um dos integrantes da Orchestra Descarrego, um coletivo de improvisos musicais e poesia sonora que conta com Paulo Hartamann e Lucio Agra, além de convidados. Esse mais recente álbum de Manzi já está disponível nas principais plataformas de música, através da distribuidora Tratore. Não será feita distribuição física do produto.

 JULI MANZI. Picles. Cardeal Arcoverde, 1.838. Sáb., 22h. R$ 20.

 

Mais conteúdo sobre:
Tatá AeroplanoChico Buarque

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.