Juiz lê acusações contra Jackson pela primeira vez

Um promotor expôs hoje as acusações de abuso sexual e conspiração, contra Michael Jackson, ao júri, dizendo que o cantor explorou um menino de 13 anos e o expôs a "comportamento sexual estranho". O advogado distrital Thomas Sneddon se referiu ao menino pelo nome depois de dizer à corte que seria impossível continuar sem usar os nomes reais do menino e da família dele.As declarações de abertura aconteceram depois que o juiz da Corte Superior Rodney S. Melville leu o documento de acusação ao júri, revelando pela primeira vez os nomes dos cinco supostos co-conspiradores do cantor, todos funcionários de Jackson, além de detalhes da acusação. O juiz também leu os 28 fatos manifestos supostamente cometidos na conspiração em torno do alegado abuso sexual do menina, que sofria de câncer, no rancho de Jackson, Neverland, e tentativa de manter a família do garoto em silêncio.Sneddon, o principal promotor do Condado de Santa Bárbara, disse ao júri que o caso era sobre a "desesperada tentativa" de Jackson para salvar sua carreira depois da exibição pela televisão do documentário Vivendo Com With Michael Jackson, no qual ele é visto de mãos dadas com o menino que o acusa e dizendo que ele permite que crianças durmam em sua cama. Sneddon disse que quando o documentário foi exibido, no começo de 2003, "o mundo de Jackson foi abalado" e que um dos co-conspiradores descreveu a exibição como sendo um "desastre de trem". O promotor disse que Jackson explorou o menino ao fazê-lo aparecer no vídeo e não dizer que o material seria exibido para milhões de pessoas. "Ele nunca disse ao menino que o vídeo era outra coisa além de um teste", disse Sneddon, também acusando o cantor de "expor o menino a comportamento sexual estranho". A promotoria apontou que o menino pertence a uma família pobre e que o desejo do menino, doente, era conhecer seu ídolo. Esse desejo foi realizado, disse o promotor, mas a um alto preço. O menino foi submetido a abuso sexual e preso no rancho de Jackson. Sneddon disse ainda que Jackson tinha uma "dívida muito grande" de anos antes da produção do documentário, que levou a uma objeção do advogado de defesa, Thomas Mesereau Jr.. O juiz aceitou, dizendo que ele ainda não havia decidido sobre que provas poderiam ser usadas no tribunal (em referência ao caso em que Jackson foi acusado de abuso em 1993). Sneddon disse aos jurados que o menino havia passado por uma cirurgia para remover um tumor do estômago. Nessa época, ele participou de um acampamento para crianças, onde conheceu Jamie Masada, o organizador. O menino teria dito a Masada que seu último desejo era conhecer Chris Tucker, Adam Sandler e Michael Jackson. "Ele conheceu todos eles", disse Sneddon, e em agosto de 2000, Jackson convidou o menino e a família para jantarem em seu rancho. No jantar, na primeira visita, Sneddon disse, Jackson falou ao menino que pedisse à mãe dele para deixá-lo dormir em seu quarto, e o menino foi. Naquela noite, continuou o promotor, Jackson levou o garoto para seu quarto, junto com seu próprio filho, Prince Michael, onde ficaram olhando sites pornográficos por 45 minutos. Quando a imagem de uma mulher com os seios à mostra apareceu, Sneddon disse, Jackson virou para os meninos e disse: "Got milk?", em referência à popular campanha do leite nos EUA. A acusação, que ainda não havia sido divulgado, aponta uma série de atividades bizarras de Jackson, inclusive um grande esforço dos funcionários do cantor para mandar o menino e a família dele para o Brasil. Um deles, Frank Tyson, também conhecido como Frank Cascio, teria dito à família que eles estavam em perigo e "não é a hora de ficarem sozinhos por aí. Não é a hora de darem as costas a Michael". O documento de acusação diz que entre fevereiro e março e 2003, Tyson ameaçou o acusador, dizendo-lhe que "Michael poderia fazer a família desaparecer" e "eu poderia mandar matar a sua mãe". O documento também traz, como um dos atos descritos, que em fevereiro de 2003, os funcionários de Jackson foram instruídos para não deixar o menino sair de Neverland. Também estão citados do documento Ronald Konitzer, Dieter Wiesner, Marc Schaffel e Vincent Amen.A exposição da defesa aconteceria após à da acusação. Os advogados do cantor tentarão provar que Jackson foi vítima de uma mãe inescrupulosa que fez o menino inventar fantasias eróticas sobre o cantor.

Agencia Estado,

28 de fevereiro de 2005 | 17h28

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