Juiz decide em uma semana caso de Madonna em Maláui

A Corte Suprema de Maláui informou nesta segunda-feira que em uma semana vai decidir se uma coligação de grupos defensores dos direitos humanos do país vai ajudar a concluir se Madonna está apta a adotar David Banda, de 1 ano e 2 meses, menino de Maláui, país africano.O juiz Andrew Nyirenda realizou uma seção para escutar os argumentos de uma coligação de 67 membros, incluindo a comissão de Direitos Humanos de Maláui. Os grupos sustentam a existência de irregularidades no processo de adoção.A decisão de Nyirenda provavelmente terá conseqüências graves em um país onde a cada ano dois milhões de crianças perdem um ou ambos os pais em grande parte devido à aids, e centenas são adotadas por estrangeiros.Defensores temem exploração de menores Madonna assegura que cumpriu todos os requisitos do país africano. O pai de David Banda, que o colocou em um orfanato logo após a morte de sua mulher por complicações no parto, fez declarações controvertidas sobre o assunto, primeiro dizendo que não tinha entendido que Madonna queria tirar seu filho do país, e depois afirmando que a polêmica criada pelos ativistas ameaçavam a oportunidade que ela estava dando a seu filho.Os defensores do menino temem que a falta de clareza nas leis de adoção de Maláui facilite a exploração de menores por traficantes e pedófilos.Um juiz do Supremo Tribunal outorgou à estrela pop norte-americana e a seu marido, o cineasta britânico Guy Ritchie, a custódia temporária de David em 12 de outubro e, após um período de 18 a 24 meses de supervisão, o casal poderá formalizar a adoção permanente. As leis de Maláui estipulam que este período seja passado no próprio país, mas as autoridades permitiram que o menino fosse levado para a casa de Madonna em Londres.Juiz emitirá decisão no dia 20"Basicamente pedimos à corte que nos permita participar do processo, porque há muitos aspectos legais que queremos discutir", disse nesta segunda-feira Justin Dzonzi, presidente da coligação conhecida como Comitê Consultivo dos Direitos Humanos, após a audiência privada que durou uma hora e meia. O juiz emitirá sua decisão em 20 de novembro.Dzonzi disse que sua coligação não quer bloquear a adoção, mas apenas assegurar-se de que sejam cumpridas as leis locais de adoção. Nesta segunda, assinalou que as leis são arcaicas e desacatadas rotineiramente para permitir a adoção por estrangeiros."Mais de mil crianças malauianas são adotadas ilegalmente a cada ano enquanto a lei diz que a adoção internacional não é lícita", disse Dzonzi, que é advogado. "Não existe um sistema que monitore como são tratados esses meninos, onde quer que eles estejam". Acrescentou que queriam usar o caso de Madonna "para assegurar que os direitos das crianças de Maláui sejam protegidos efetivamente".Por outro lado, o pai do menino, Yohane Banda, pediu aos ativistas que fiquem longe do caso. "Como pai de David dei minha permissão e não vejo razão para mudar de opinião", disse o agricultor de 32 anos.O advogado de Madonna em Maláui, Alan Chinula, disse à imprensa que até onde saiba, a cantora cumpriu todas as exigências da lei. "Se as leis são arcaicas isso não é culpa dos Ritchie", acrescentou.A adoçãoMadonna e Ritchie ficaram oito dias em Maláui e conseguiram a guarda provisória de David. Banda, pai do menino, assinou os papéis permitindo que o filho fosse adotado e o juiz Nyirenda concedeu às celebridades a permissão para levar David para Londres. A cantora já é mãe de Loudes Maria, de 9 anos, e Rocco, de 6 anos.Marita, a mãe de David e ex-mulher de Banda, morreu aos 28 anos, um semana após dar à luz ao menino. Em dez anos de casamento eles tiveram outros dois filhos, que morreram na infância, vítimas de malária.

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